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Archive for the ‘Lógica’ Category

Há duas questões que me deixam indeciso se hei-de ser Liberal ou Libertário.

Primeiro, até que ponto os indivíduos são responsáveis pelas suas acções. Podemos afirmar que muitas vezes temos responsabilidade pelo que fazemos e que,por isso, no limite temos sempre uma opção. No entanto, pode também argumentar-se que a educação que uma pessoa recebe é uma condição necessária para se ser responsável pelas acções. Assim, se um libertário apoia o facto de uma família Amish tirar os filhos aos 14 anos da escola, então a pergunta é: será esta pessoa capaz de tomar decisões por ela própria?

Aquilo que penso (mas que estou disposto a mudar se me apresentarem um bom argumento), é que deve haver igualdade de oportunidades na educação. Caso as pessoas sejam educadas, então depois podemos afirmar que a responsabilidade é delas. Assim, posso afirmar que penso que um proviso necessário é a educação, mas que depois podemos adoptar uma posição libertária.

O segundo problema que me confunde é: mesmo admitindo que é injusto uma pessoa estar numa situação desigual devido à educação que teve, ou às escolhas que os pais fizeram para essa pessoa, é justo obrigar outras pessoas que tomaram as decisões certas pagar pelos erros dos outros? Por que razão há-de o indivíduo x que tomou as decisões certas pagar impostos para que o filho do indivíduo y tenha uma educação melhor?

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Morreu o poeta e filósofo M. S. Lourenço. A Filosofia, em particular, a Lógica da Matemática, fica hoje mais pobre em Portugal. O Ágora Social lamenta a sua perda.

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Pedro Arroja explica bem neste post as caracteristicas que minam um debate racional:

“Factores que tornam impossível o debate racional de ideias:

-Falta de estudo prévio;
-Incapacidade de abstracção;
-Desfocalização (saltar do tópico para outro);
-Argumento ad hominem (pessoalizar o debate)
Excepcionalismo ou particularismo (argumentar com base em excepções ou casos particulares)”.

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Uma das críticas como à eficiência do mercado é o facto de haver externalidades. O mercado não inclui todos os benefícios e malefícios nas transações. Existem side-effects como os problemas ambientais. Neste sentido, o mercado não pode ser uma boa resposta ao ambiente. Esta teoria é falsificada por Coese. Coese sugere o seguinte. Suponhamos que existe um lago onde todos podem pescar livremente. Como não existe nenhum interesse monetário para conservar a natureza, cada um pesca sem pensar que no ano que vem não haverá recursos. Ora, tendo isto em conta, a proposta de Coese consiste em privatizar o lago. Se o lago for privatizado, o gestor terá en consideracao o facto de que no ano seguinte tem de ter peixes no lago para poder ter clientes. Logo, a natureza é preservada pelo auto-interesse do proprietário.

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Dou aqui uma lista dos livros e artigos que, a meu ver, são os melhores acerca de Lei Natural em Filosofia Política (dentro da tradição analítica).

Natural Law and Natural Rights, John Finnis

Natural Law and Justice, Lloyd Weinreb

Natural Law Theory: Contemporary Essays, Robert George

A Critique to the New Natural Law Theory, Russel Hittinger

How Persuasive is Natural Law Theory?, K. Greenwalt

Natural Law and Contemporary Moral Thought, Steven Smith

Natural Law: An Introduction and Re-examination, Kainz

Introduction to Jurisprudence (especialmente o terceiro capítulo), Freeman

The Blackwell guide to the philosophy of law and legal theory, Golding e Emunson

The Oxford Handbookd to Jurisprudence and philosophy of Law, Shapiro e Coleman

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Um debate em metafísica, ética e economia é se é possível medir o bem estar das pessoas e compará-los. A importância desta discussão é que para se encontrar um sistema económico ou ético que maximize o bem-estar tem de ser poder comparar o bem estar. Por exemplo, suponhamos que o os programas económicos y e z estão a ser comparados. Suponhamos ainda que o critério para o predicado diádico “melhor do que” é que um traz mais bem-estar aos indivíduos do que o outro. Se for impossível comparar, então não se pode qualificar os dois programas políticos. Esta questão começou a ser mais debatida desde que o Utilitarismo emergiu. Como é bem sabido, de acordo com o Utilitarismo, o acto ético é aquele que a soma do bem-estar geral é maior. Mas as comparações de bem-estar não interessam só ao Utilitarismo. A principal preocupação do liberalismo é o bem-estar dos indivíduos. Assim, dentro daquilo que são os direitos liberais, deve gerir-se qual a melhor resposta para o bem-estar dos indivíduos.

Harsanyi, um economista do século XX, considera que as comparações de bem-estar são possíveis (Journal of Political Economy, 63, 1955). A teoria é relativamente simples e intuitiva. O que ele diz, de foma sumária, é que, antes de mais, temos de considerar que é intuitivo pensar que os indivíduos são similares em vez de serem diferentes. Isto é, eu tenho mais dados para pensar que outra pessoa tem a mesma estrutura mental e física do que eu do que pensar o oposto. Esta teoria não pode ser verificada empiricamente, i.e., não podemos entrar na mente ou no corpo de outra pessoa, por isso não podemos ter a certeza. Mas a verdade é que não temos razões para pensar o contrário. É mais provável que seja assim do que o oposto.

Tendo isto em consideração, Harsanyi diz que caso tenhamos informação suficiente sobre a outra pessoa, e.g., backbround, educação, etc., podemos com alto grau de probabilidae, adivinhar os seus gostos. De facto, se tentarmos isso com as pessoas que nos são mais próximas, conseguimos de forma consistente prever os seus gostos.

Assim sendo, parece-me que as comparações de bem estar são possíveis. A teoria é uma teoria de senso comum, mas isso não é razão para a rejeitar.

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(nao tenho acentos nem cedilhas neste computador)

Ja e conhecido o argumento para o desarmamento nuclear. Dizem-nos os “pacifistas” que o mundo seria melhor sem armas e que e uma necessidade para a paz no mundo que os governos em cooperacao se desarmem.

Este argumento e inocente e esta matematicamente errado. Para refutar este argumento, a primeira questao a colocar e: como garantir que de facto todos os paises se iam desarmar? Qual seria a entidade neutra que o faria e qual seria o seu metodo? No entanto, supondo que podemos encontrar uma entidade neutra e um metodo eficaz, este processo seria altamente dispendioso.

Alem da inocencia do argumento, tambem o podemos refutar pela sua incoerencia matematica. Se pensarmos na razao pela qual a Guerra Fria nao evoluiu e porque havia armamento suficiente da parte dos dois polos para prevenir a guerra. Uma vez que os dois tinham armamento suficiente para destruir o outro pais, a melhor resposta a atitude do adversario era nao mandar uma bomba. Os paises estavam em equilibrio porque deram a melhor resposta a resposta do adversario.

Voltando ao primeiro argumento e tendo em conta o que acabei de escrever aqui, podemos considerar a seguinte hipotese: os paises x,y e z sao o conjunto de paises que existem. x, y e z fazem um acordo para se desarmarem. A melhor resposta que cada um tem a atitude dos outros e manter as armas porque isso garantir-lhes-a ter poder enquanto os outros nao tem armas. Ora, tendo isto em conta, ha duas hipoteses. Primeiro, todos os paises fingem desarmar-se e nenhum se desarma. Segundo, um ou dois paises desarma-se e outros dois ou um, respectivamente, nao se desarmam. Assim, apelar ao desarmamento ou nao tem qualquer efeito ou serve para que certos paises tenham vantagem sobre outros (o que seria pior, porque, de acordo com o que disse atras, nao existiria equilibrio).

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Desde Platão, a pergunta “como havemos de viver?” tem sido central na disciplina de Ética. Os desenvolvimentos de teoria dos jogos no século XX parecem dar uma resposta a esta pergunta. A teoria dos jogos é um ramo da matemática que sugere as melhores estratégias de comportameto. Por exemplo, o “equilíbrio de Nash” diz o seguinte: tendo dois invidívuos, A e B, eles estão em equilíbrio se a decisão de A é a melhor escolha tendo em consideração a decisão de B e se a decisão de B é a melhor escolha tendo em consideração a decisão de B. Está implícito nesta teoria que agir moralmente é agir racionalmente. De facto, é difícil refutar esta tese:

1) se agir racionalmente é correcto

2)se agir eticamente é o que está correcto

 3)Logo agir racionalmente é ético.

Pra refutar esta teoria, duas posições podem ser tomadas. Primeiro, agir eticamente não é agir racionalmente. Segundo, não se consegue definir racionalidade.

A primeira hipótese é inconcebível. Nenhuma teoria que mereça a nossa atenção pode dizer que quem é ético é aquele que age irracionalmente. A segunda hipótese tem alguma viabilidade, mas a pergunta sobre o argumento que subjaz essa posição fica por clarificar. Existe de facto alguma discussão em Economia sobre aquilo que é agir racionalmente (Harsanyi, Rawls e Sen, por exemplo), mas os teoremas fundamentais são os mesmos.

Tendo isto em consideração, pode dizer-se que a teoria dos jogos é uma boa base para agir racionalmente. Mas, obviamente que esta racionalidade não pode ser pensada sem algumas restrições. Harsanyi, por exemplo, coloca os indivíduos numa stuação em que não sabem a sua posição na sociedade e que têm igual probabilidade para ter qualquer as posições. Neste cenário, os indivíduos agem racionalmente e fazem determinadas escolhas (no caso de Harsanyi, Utilitarianismo). Deste modo, aquilo que deve ser discutido não é se a racionalidade é ética ou não, mas as condições (constraints) em que os indivíduos são colocados para decidir os princípios éticos.

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Se existe coisa de mais comum numa discussão são conceitos mal definidos ou ambíguos, um destes conceitos é o da inteligência. De acordo com o teste QI europeu, o conceito de inteligência parece estar relacionado com a quantidade de conhecimentos e com a rapidez de raciocínios e não com a capacidade para se fazerem bons raciocínios. Este teste tal como grande parte dos testes de inteligência incorrem sempre (ou quase sempre) na mesma definição.

Será que não ocorre a alguém pensar que uma pessoa pode ser ignorante por não estar a par dos temas e ao mesmo tempo ter capacidade para fazer bons raciocínios? Ora, tal seria possível se a pessoa X que é ignorante no assunto W passase a estudar este mesmo assunto e demonstrasse que afinal com a aquisição de conhecimentos do assunto W a pessoa X seria bem mais inteligente do que alguém que tivesse a pontuação máxima no teste de QI europeu.

E como é que se pode descobrir que alguém é inteligente? Qual será a correcta definição? A resposta parece-me simples. Alguém é considerado inteligente quando faz bons raciocínios, ou seja, raciocínios coerentes, lógicos. O facto de alguém ter muitos conhecimentos não significa que faça bons raciocínios, apenas mostra que tal pessoa lê muito e que tem boa memória, não garante que tenha espírito crítico e raciocínio lógico.

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Critérios racionais

O que é um critério racional?

1. Um critério racional não pode ser um critério que tende para um lado do debate ou para o outro consoante onde estiver a maioria, excepto se os argumentos forem imparciais.

2. Um critério racional tem de ser um critério imparcial independente da força da maioria ou da minoria.

3. Um critério racional tem como árbitro o raciocínio abstracto/filosófico e não tem inclinações empíricas ( = empirismo ingénuo).

4. Um critério racional não pode ser de ordem emocional pois as emoções variam consoante os momentos psicológicos (ou estados de espírito) dos intervenientes no debate e não dizem nada acerca do mesmo (ou seja, apenas dizem o que uma pessoa sente interiormente acerca de um dado assunto).

5. Um critério racional desmonta os critérios parciais demonstrando a sua falácia que reside no relativismo e na ambiguidade dos conceitos.

6. Um critério racional tem a vantagem de chegar a conclusões válidas para qualquer tempo  e lugar.

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“Consenso em Ciência” por João Miranda no Diário de Notícias, 6-12-2008.

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1. Os defensores de uma certa ideia de “sociedade justa” afirmam constantemente que num mercado livre os salários dos jogadores de fútebol, dos actores de cinema de hollywood, dos grandes empresários ou das prostitutas de luxo são injustos.

2. Mas os salários gordos resultam do livre investimento dos indivíduos, logo não pode ser injusto pois um mercado livre funciona de acordo com a lei imparcial/natural da oferta/procura.

3. Logo, uma sociedade justa é uma sociedade que não é livre. Logo, não faz sentido usar a palavra “liberdade” de acordo com o direito natural mas sim identificando-a com o direito positivo.

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Uma dedução lógica certeira do comentador Filipe Abrantes:

“- o Direito Natural é universal e diz o que é ou não Justo
– o que está nas constituições/jurisprudência/cógidos (Direito Positivo) é a imanência das circunstâncias e/ou vontade da maioria
– as circunstâncias e/ou a vontade da maioria são totalmente independentes daquilo que é Justo (relembro que as maiorias podem – e já o fizeram – votar a favor de governos e/ou leis racistas ou comunistas), logo do Direito Natural, e só raramente dele se aproximam nas suas normas
– segue-se que só por acaso haverá normas (Direito Positivo) coincidentes com princípios naturais sobre o que é Justo
– segue-se que só por acaso numa constituição haverá protecções sólidas contra violações do direito natural (mesmo na constituição US)”.

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1. Uma das razões apontadas (e frequentemente a mais criticada) para justificar a invasão do Iraque foi a existência de ADM.

2. Uma vez no Iraque não se encontraram as tais ADM, embora se saiba que já as tiveram e que foram financiadas pelos próprios americanos.

3. Não acharam as ADM, logo não existem.

A falácia deste raciocínio é muito simples: ignora explicações alternativas. O facto de não terem encontrado ADM não quer dizer que elas não existem ou que existiram, podem ter sido movimentadas para outro país ou podem mesmo já terem sido todas usadas. O facto é que não há maneira de sabermos se os americanos já sabiam que não haviam ADM no Iraque.

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1. “A invasão do Iraque não foi um erro devido às suas consequências, mas devido às suas motivações.” – diz o Miguel Lopes.

2. Exteriormente não há maneira de saber quais as motivações dos outros pois não temos maneira de aceder ao seu pensamento.

3. Os únicos argumentos válidos para a discussão sobre a invasão do Iraque são dados concretos/objectivos.

4. Argumentos sobre motivações são argumentos inválidos porque não estão sujeitos a critérios objectivos.

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