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Archive for the ‘Educação’ Category

Dou aqui uma lista dos livros e artigos que, a meu ver, são os melhores acerca de Lei Natural em Filosofia Política (dentro da tradição analítica).

Natural Law and Natural Rights, John Finnis

Natural Law and Justice, Lloyd Weinreb

Natural Law Theory: Contemporary Essays, Robert George

A Critique to the New Natural Law Theory, Russel Hittinger

How Persuasive is Natural Law Theory?, K. Greenwalt

Natural Law and Contemporary Moral Thought, Steven Smith

Natural Law: An Introduction and Re-examination, Kainz

Introduction to Jurisprudence (especialmente o terceiro capítulo), Freeman

The Blackwell guide to the philosophy of law and legal theory, Golding e Emunson

The Oxford Handbookd to Jurisprudence and philosophy of Law, Shapiro e Coleman

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O liberalismo radical e o pós-modernismo são duas tendências políticas que, ainda que possam ser bem-intencionadas, têm consequências danosas para a sociedade.

O liberalismo radical considera que cada indivíduo é absolutamente livre, responsável por tudo aquilo que é. Não há nenhuma influência social ou exterior que torna o indivíduo naquilo que é, cada um é uma auto-construção. Sendo esta a diferença específica e característica essencial do Homem, a liberdade é um bem intrínseco e, por isso, ninguém deve ter a vida comandada por ninguém; toda a intervenção na vida privada é errada, o homem, sendo naturalmente livre, assim deve permanecer, fazendo o que desejar sem haver regras. Um olhar mais desatento diria que tudo isto é inocente, mas a verdade é que esta perspectiva tem consequências, como veremos à frente.

O pós-modernismo é uma tendência filosófica que considera que os valores e a linguagem são meras convenções sociais, por esse motivo todas as perspectivas são igualmente válidas. A título de exemplo, a concepção de bem de um terrorista ou de um cristão são igualmente válidas, porque são concepções formadas socialmente.

Estas duas perspectivas aparentemente opostas tocam-se num ponto: ambas são contra regras, ambas rejeitam a objectividade moral.

 No seio de uma sociedade liberal radical, todos os estilos de vida são aceites, na medida em que a liberdade é o valor mais importante de todos, sobrepondo-se a qualquer coisa. Assim, um casal tem o direito de educar os filhos para ser terroristas. A liberdade é mais importante do que a segurança das outras pessoas. O problema do liberalismo é que procura de tal modo valorizar a liberdade que permite que surjam valores absolutamente imorais. A pedofilia seria permitida numa sociedade deste género, por duas ordens de razões: a) as crianças seriam, deste ponto de vista, capazes de decidir por si, e b) caso não fossem, os pais têm a liberdade de achar que isso é o melhor para os filhos.

Os pós-modernos, que são normalmente os mais moralistas, consideram que não podemos criticar, rejeitar, etc. estilos de vida diferentes, todos são válidos. Desta maneira, um terrorista, um fascista, um marxista, um nazi, todos têm legitimidade para ter as ideias que têm porque a sua validade é meramente social e não há outro tipo de validação.

Assim, ambas as tendências acabam por cair num relativismo extremo e numa ausência de valores, acabando ambos os sistemas por criar dentro de si maneiras de viver que não são aceitáveis.

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Legalização de porte de arma ,Capitalismo selvagem segundo Vital Moreira , A indignação é um pobre substituto da razão II , A indignação é um pobre substituto da razão III , O futuro do Bem no Mundo , Suicídio assistido , Eterno Retorno , O Lucro dos Vendedores e o Status Quo , Argumentos de saúde pública , Ideais Humanistas , A caminho das nacionalizações , Uma questão de fé , Algumas medidas para combater o desemprego , As propriedades mágicas do Estado , Bush é racista , Igualdade de oportunidades II , Igualdade de oportunidades III , Igualdades, liberdades e indignações , Handicap social (na íntegra) , O Século do progressismo , Crise de natalidade, familia e poder , Crise de natalidade, familia e poder II .

 

 

 

 

 

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Uma boa razão para o Estado intervir na Educação é para evitar que haja crianças submetidas a seitas como esta que foi desmantelada no Texas. A notícia pode ser vista aqui.

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“A partir de ontem, em França, incitar jovens à anorexia é crime. A Assembleia Nacional francesa adoptou uma proposta de lei do partido do Governo, o UMP, inédita, que avança com uma pena máxima de dois anos de cadeia para os responsáveis de conteúdos informativos que encorajem comportamentos que possam conduzir à doença.”, in Público. Parece-me uma medida bastante correcta, pois é papel do Estado proteger os cidadãos e informá-los, uma vez que os mesmos não podem estar informados sobre tudo.

Pensar que o cidadão deve estar absolutamente informado sobre todos os perigos e que a sua liberdade de escolha não está condicionada pela falta de informação e protecção é um erro. Em primeiro lugar, porque é de uma absoluta falta de bom senso pensar que os cidadãos podem estar absolutamente informados sobre tudo. Não só me parece que isso seja humanamente impossível como também as vicissitudes da vida impossibilitam que assim seja. Em segundo lugar, carece de análise do que é o livre arbítrio. Este tem várias condições necessárias para ser genuíno, uma delas é não se ser coagido a fazer alguma coisa. No caso de algumas mulheres, pelas circunstâncias impostas pela sociedade contemporânea, têm de emagrecer bastante para ter emprego como modelos. Se, imaginado, as mulheres não têm outra opção a não ser essa, então o seu acto não foi absolutamente livre. Outra condição necessária ao livre arbítrio é o conhecimento. Vejamos o seguinte caso: uma pessoa que tem dores insuportáveis e que lhe é sugerida heroína para se aliviar. Essa pessoa não sabe que a heroína vicia, nem sabe o que é heroína, simplesmente sabe que o médico lhe disse que tirava as dores. Quando aceitou tomar a droga, a sua decisão não foi absolutamente livre, uma vez que não tinha conhecimento para essa decisão, ou, para ser mais preciso, foi enganada sobre aquilo que ia tomar.

Em conclusão, o Estado deve ter um papel protector, querendo eu dizer com isto que deve promover as decisões livres dos cidadãos.

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“O Partido Socialista quer acabar com o conceito legal de culpa no divórcio. Isto é, quer transformar o casamento num compromisso sem compromissos. Este é o mesmo Partido Socialista que quer proibir os piercings na língua e que aprovou uma nova lei do fumo com o objectivo declarado de combater o vício. Entretanto, o Bloco de Esquerda, um partido que chegou ao Parlamento graças à defesa do aborto e das drogas leves, tem um projecto de lei para proibir a publicidade ao álcool no desporto. Graças ao empenho dos partidos de esquerda, os portugueses terão no futuro mais facilidade em romper um casamento ou fazer um aborto do que em fumar um cigarro, publicitar uma cerveja ou meter um piercing na língua.

A defesa de instituições e de regras que têm como objectivo proteger as pessoas delas próprias costumava ser uma característica das religiões tradicionais. Os partidos progressistas, como o Bloco de Esquerda e o Partido Socialista, começaram por contestar a autoridade religiosa com base na defesa da liberdade de cada um para tomar as suas próprias decisões. Mas agora que chegaram ao poder, desprezam a liberdade individual e limitam-se a substituir uma moral arbitrária por outra. A Igreja Católica tolerava o fumo e era contra a carne na Quaresma. O Partido Socialista tolera a carne na Quaresma mas embarcou numa campanha moralista contra o fumo. Neste contexto, a ASAE funciona como uma espécie de polícia do vício e da virtude. A ASAE não serve só para detectar carne estragada que nenhum consumidor estaria disposto a comer. Serve também para nos proteger de estabelecimentos que gostaríamos de frequentar e de produtos que gostaríamos de consumir. Ironicamente, uma das funções da ASAE é garantir que os hipermercados não abrem ao domingo à tarde. O domingo é um dia consagrado à família, quer os portugueses queiram quer não queiram. Claro que, graças ao projecto de lei do PS, os portugueses poderão agora dissolver a família sem culpa. Ficarão sem nada para fazer ao domingo à tarde.”

fonte: http://www.dn.sapo.pt/2008/03/29/opiniao/vicios_e_virtudes.html .

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O melhor texto que encontrei sobre a Educação e outros problemas sociais em Portugal:

“Portugal não pode continuar a ser um território de bandalheira, de falta de rigor, sem exigência
Os jornais davam até há anos regularmente sinal de que os parquímetros, na generalidade das ruas lisboetas, eram vandalizados. A experiência comum de qualquer automobilista que quisesse cumprir os seus deveres, quando estacionava, apontava no mesmo sentido. A opinião dominante era que nada havia a fazer: os “moedinhas” vandalizavam para continuarem a receber gratificações por um serviço que em regra nem era solicitado e, dizia-se, grupos de cidadãos do Leste estavam organizados para abrir com violência as caixas onde se depositavam as moedas e com regularidade (dizia-se que de duas em duas horas) as iam esvaziando. Sem justiça social, nada a fazer, diziam psicológos encartados.
Por outro lado, os graffiti, mais ou menos artísticos (na opinião dos seus autores), inundavam paredes de Lisboa, afectando – por vezes de forma dificilmente reparável – património alheio com valor histórico e dando uma imagem de Lisboa como cidade degradada e porcalhona. Também aqui nada a fazer: a liberdade e a criatividade eram mais importantes do que a propriedade ou a limpeza.
As calçadas de Lisboa, que já estiveram ao rubro, estavam sujas, esburacadas, com passeios destruídos, dando um exemplo de área urbana de Terceiro Mundo, onde não apetece passear porque torcer um pé ou pisar lixo conspurcante eram o pão nosso de cada dia. Ainda aqui, nada a fazer: a CML não tinha dinheiro e os trabalhadores camarários eram excessivos, mas não serviam para este tipo de tarefas.
Apesar disso, dizem-me que está na prática resolvido o problema dos parquímetros, devido ao trabalho de brigadas sistematicamente atentas às reparações, não permitindo a rentável colecta das moedas por gangs mais ou menos organizados, sendo a recolha das moedas feita pelos profissionais para o efeito contratados pela EMEL.
Sei também de casos em que os proprietários de prédios, substituindo-se à ineficácia da CML, mandam limpar os graffiti logo após a sua produção e com isso os “artistas” que dão cabo do património alheio acabam por desistir: gastar tintas para laboriosos desenhos que não duram um dia torna-se desmotivador.
Em algumas zonas de Lisboa começa a notar-se que os buracos são tapados e o lixo é retirado, parecendo que nesses lugares as coisas não voltam ao ponto em que se encontravam, talvez porque a selvajaria dos portugueses se envergonhe quando as autoridades não pactuam com a pouca-vergonha.
Vem tudo isto a propósito da violência sobre professores e da indisciplina reinante nas escolas. Trogloditas de várias idades, selvagenzinhos habituados a que tudo lhes seja tolerado, impunes e com sensação de impunidade, apoiados por psicológos entontecidos e com teorias desculpabilizadoras, mal-educados e habituados à violência, fazem com que se instale nas escolas algo semelhante ao problema dos parquímetros, dos graffiti, e das ruas emporcalhadas.
Também nas escolas se pactua demasiado com esta bandalheira: a pretensa origem social dos problemas, a tese peregrina de que os problemas são “pontuais”, a falta de coragem dos responsáveis, o facilitismo e a convicção de que não vale a pena tentar lutar contra isto, tudo se acumula para que o sistema esteja a degradar-se cada dia mais. Como acontecia com os parquímetros, antes de haver quem se tenha convencido de que não se poderia tolerar a situação e com determinação ter atacado o mal e desse modo se resolvendo ou minorando muito os seus efeitos.
E o que ocorre nas escolas é muito mais grave do que nos outros exemplos que trouxe à colação. Em cada ano que passa sem que se crie disciplina, rigor e hábitos de trabalho nas escolas, a degradação acentua-se. A desmotivação dos professores, a convicção dos jovens de que nada lhes pode ser pedido, a diminuição dos graus de exigência estão a destruir o futuro e a consolidar um ciclo vicioso de degradação.É preciso por isso atalhar e depressa este estado de coisas. É preciso que os professores assumam as suas responsabilidades, que exijam condições para a disciplina, que denunciem a pusilanimidade que exista. É preciso que o absurdo Estatuto do Aluno seja revisto; é inadmíssivel que um estudante que faça o que se fez no Carolina Michaëlis (ou pior) só possa ser punido com dez dias de suspensão (mas com isso nenhum resultado nefasto terá) ou deslocado para outra escola! É preciso que os alunos possam chumbar por faltas, possam chumbar por falta de preparação, sintam na pele (eles e os paizinhos) que as coisas doem e não julguem que tanto faz trabalhar como não trabalhar porque o resultado final é sempre idêntico, a promoção automática para o ano seguinte.
É preciso também que os professores alterem a sua forma de enfrentar este tipo de problemas. O facto da professora ofendida por causa do telemóvel só ter participado depois dos factos surgirem no YouTube é sintomático: quantos professores preferem não fazer ondas, pactuar com a indisciplina, aceitar a anarquia, ceder ao medo e aos selvagens, em vez de os denunciar?
E os conselhos directivos também têm de mudar de vida. É inadmissível que prefiram silenciar as queixas de professores, funcionários e outros alunos, refugiando-se na estúpida teoria de que são situações pontuais, que se não pode criar alarme social, que são coisas de crianças, que o problema é da sociedade. É que esta maneira de agir desmotiva os professores e todos os que estejam dispostos a não ceder aos brutos, aos mal-educados, aos selvagens, aos que destroem a viabilidade de um ambiente que permita o desenvolvimento escolar.
O problema é geral e tem de ser enfrentado. Portugal não pode continuar a ser um território de bandalheira, de falta de rigor, sem exigência, em que se sente que não vale a pena cumprir as regras, respeitar as leis, trabalhar com dedicação. Ou então voltem a deixar rebentar com os parquímetros todos os dias” in Público

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Família

“As questões fracturantes estão de volta e o debate político volta a animar. O “chumbo” de ontem do projecto do Bloco de Esquerda (BE) sobre o divórcio a pedido de um dos cônjuges, baseado apenas na vontade de uma parte, não retrata a real vontade da esmagadora maioria dos deputados em fazer evoluir o instituto do divórcio num sentido menos penalizador. E o debate volta ao Parlamento já a 16 de Abril, com o projecto anunciado do PS para acabar com a dissolução do casamento com base na culpa e assentá-lo em razões objectivas. O amor, para já, fica em segundo plano.
Comecemos pelo fim: de nada valeram os reptos e tentativas de acordo do PS e do PSD para que o BE deixasse os seus projectos baixarem à especialidade sem votação. Resultado: o divórcio unilateral sem invocação de motivos foi chumbado, por serem curtos os votos do BE, PCP e PEV juntos. PSD, CDS e a deputada do PS Matilde Sousa Franco votaram contra e garantiram que o projecto não passava. O PS absteve-se, assim como 13 deputados do PSD.”, in Público.

A ideologia de alguma esquerda é incoerente e se analisarmos esta proposta e as expectativas sobre o funcionamento da Educação, percebemos isso uma vez mais.

Muitos estudos demonstram que o ambiente familiar em geral e as relações entre membros da família em particular são factores muito importantes para a formação da criança. Assim, a família além de ser um valor que deve ser fomentado por ser bom, tem ainda um papel muito importante para a sociedade – é o groundwork e framework da sociedade. A família parece ser uma condição essencial para formar um bom cidadão.

Espera-se, normalmente, que a Educação comece em casa (há quem pense até que deve só ser feita em casa) e que se deve formar Homens com valores como solidariedade, tolerância e compreensão.

Posto isto, pergunto: se a Família é a base de tais valores, ao facilitar o divórcio e destruir a instituição familiar não se está a criar barreiras para que os cidadãos não tenham esses valores? É que se a base é essa, destruindo-a nada se pode construir por cima dela.  A contradição é que facilitando o divórcio está-se também a tornar menos possível que os cidadãos adquiram os valores que são tão desejados, i.e., por um lado, incentivam-se tais valores, por outro lado, fomenta-se a instituição que está melhor habilitada a dá-los.

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A Ler

 Coisas que o caso Carolina Michaëlis revela por João Miranda via Blasfémias.

A miúda das notíciais via Abrasivo.

Professores sem educação via Vida de Cadela.

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Este texto de Fernanda Câncio no Diário de Noticias é o perfeito exemplo de um texto com reacções indignadas, pessoalismos e sem argumentos (muito estilo em detrimento do conteúdo):

“Parece que cada vez que “alguém fala do vídeo” à professora da luta pelo telemóvel no Carolina Michaëlis ela “começa a chorar e enerva-se”. Compreendo-a muito bem. Eu própria vou pelo mesmo caminho. Tenho a sensação de que se mais alguma vez vejo aquelas imagens ou oiço ou leio alguém falar em “agressão no Carolina Michaëlis” ou “a professora brutalizada pela aluna” ou, para ainda mais extraordinário, “nas coisas comprometedoras que a aluna alegadamente teria no telemóvel”, vou mesmo entrar em órbita. Ou chamar a polícia.”

Ler o restante texto aqui: http://www.dn.sapo.pt/2008/03/28/opiniao/adolescentes_inimputaveis_e_teves.html .

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Mais do mesmo, continua o triunfo da indignação:

A professora da Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, que foi alegadamente vítima de agressão por uma aluna formalizou hoje uma queixa judicial contra a jovem. Além da estudante, a docente apresentou ainda uma queixa contra a turma onde ocorreu o incidente e um pedido de responsabilização para dois alunos maiores de 16 anos.A advogada da docente, Ana Espírito Santo, confirmou à Lusa que a professora apresentou três queixas distintas. Uma primeira queixa foi apresentada contra a aluna no Ministério Público, junto do Tribunal de Família e Menores do Porto. A advogada explicou que apesar da aluna viver em Matosinhos, a queixa só podia ser formalizada naquele tribunal, por ser o da área onde ocorreram os factos.No mesmo tribunal, foi apresentada uma queixa autónoma contra os restantes alunos menores da turma. Pouco depois, foi formalizada uma terceira queixa, no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Porto, contra dois alunos maiores de 16 anos, que já podem ser responsabilizados na justiça convencional.

A aluna arrisca-se a ser acusada de crimes de difamação ou ofensa ao seu bom-nome. Os outros alunos são responsabilizados na queixa por colaboração na “humilhação” da professora.” (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1323891&idCanal=58#Comentarios )

1. O trabalho de uma professora consiste em ensinar a matéria e não em educar.

2. Se alguma aluna viola uma das regras para o bem-estar da aula é convidada a sair.

3. Se a aluna não sair voluntariamente a professora tem legitimidade para pedir ajuda a um agente de segurança.

4. Não é da competência da professora punir o aluno coercivamente. Aliàs até é do interesse da professora não agravar a situação.

5. A professora em causa tentou retirar um telemóvel à força de uma aluna e agora queixa-se duma situação que ela própria ajudou a fomentar.

6. Solução: regresso ao moralismo autoritário para obrigar os alunos a cumprirem as regras.

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Um dos problemas do pós 25 de Abril é que se começou a rejeitar qualquer tipo de autoridade, hierarquia, disciplina e valores relacionados ao Estado Novo (Deus, Pátria e Família).

Não quero, obviamente, tomar uma posição a favor do Estado Novo; esta é, aliás, a crítica feita por aqueles que querem vencer a discussão com argumentos ad hominem em vez de argumentar: “se é do Estado Novo, então é fascista e logo está errado”. Pode haver boas e más ideias em todos os quadrantes políticos e por estarem associados a regimes que, em primeira análise, rejeitamos, isso não torna as ideias incorrectas.

A autoridade  e a hierarquia são rejeitadas porque todos devem ser iguais e não deve haver qualquer tipo de paternalismo ou sobrevalorização. Não há homens melhores que outros, não há qualidades nem defeitos, há apenas maneiras de ser diferentes. Também não há actos mais legítimos do que outros, tudo é relativo e devemos respeitar as maneiras diferentes de ser. Este ponto de vista é, a meu ver, o culpado do estado caótico em que Portugal está. Em casa, tudo é permitido, não há regras, porque, afinal de contas, ter uma posição firme é errado. Nas escolas, o Professor está ao mesmo nível que o aluno, logo não tem que lhe dizer o que fazer, até pode o aluno a dizer-lhe alguma coisa como “Dá-me já o telemóvel”. A autoridade é justificada porque há valores que são melhores, mais racionais e mais legítimos do que outros e, caso seja necessário, a autoridade e até a força devem ser usadas. O melhor exemplo é a violação dos direitos humanos: se for necessário exercer a força para fazer frente a esses violadores, então esse uso é legítimo. Portanto, também existe hierarquia de valores. Um homem que trata uma mulher com a mesma consideração a que trata um homem tem valores mais valiosos do que um que a trata com menos consideração moral. Numa palavra, a autoridade e a hierarquia são legítimas e a razão pela qual o são é que os valores não são relativos e, por conseguinte, podemos afirmar que há pessoas e ideias melhores que outras e, se for necessário o exercício da autoridade para que esses fins sejam alcançados, então esta é legítima.   Repare-se como este argumento justifica um estado que deve ter alguma intervenção na vida dos cidadãos – quando há valores fundamentais que são violados e se as vítimas não têm possibilidades de se defender, então o estado deve intervir.

Devo ainda denunciar um erro lógico do raciocínio daqueles que rejeitam a hierarquia. Dizem eles que não deve haver valorização de valores porque todos são iguais, logo deve valorizar-se a ausência de hierarquia. Ora, a conclusão não se segue das premissas: afirmar que a ausência de hierarquia é melhor do que a presença, é dizer que uma é mais valiosa do que a outra; mas se não há valores melhores que outros então não se pode avaliar um relativamente ao outro.

A disciplina é também legítima não só porque é um elemento necessário à autoridade como também pela sua íntima relação com a racionalidade. Entendo por pessoa disciplinada aquela que pensa racionalmente nas regras com que se depara e sabe quando as deve aceitar ou não. Por oposição, alguém indisciplinado é alguém que irracionalmente rejeita qualquer regra. Ora, se a racionalidade é algo de bom e se a disciplina tem a propriedade de ser racional e a indisciplina de ser irracional, então a primeira é mais valiosa do que a última.Relativamente aos valores do Estado Novo, Deus, Pátria e Família, considero que todos eles podem ser aceites na sociedade, desde que não sejam fundamentalistas.

Relativamente aos dois primeiros, todos nós temos liberdade de culto, podemos adorar o que quisermos, tendo sempre em conta a máxima já antiga “A minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro”. Isto é, se ter esses valores implica uma intrusão ou perseguição na vida dos outros, então não é legítima. Por exemplo, se os Católicos resolverem matar as pessoas que, segundo eles, têm o diabo no corpo, ou se os nacionalistas resolverem pôr os imigrantes em campos de concentração, então esta crença é ilegítima por violar o princípio da liberdade.   Por outro lado, parece-me que ter orgulho na História de Portugal ou dar a outra face são valores inofensivos.

A família parece-me ser um valor que deve ser fomentado porque é importante na formação dos seus elementos e tem resultados no modo de agir na sociedade. Porém, cada família deve decidir como gerir isto, mas terá de saber arcar com as suas consequências – no Reino Unido, os pais dos alunos que faltam às aulas são multados, por exemplo.

Concluindo, os portugueses têm um complexo com figuras de autoridade e rejeitam qualquer associação com o regime tirano do Estado Novo. Todavia, há valores que não devem ser rejeitados só porque historicamente parecem estar ligados a um regime. Claro que este factor é relevante, mas o cerne da discussão deve ser através de argumentos racionalmente elaborados.

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Quando é que a “velha” cai?  por Rui Ramos

“Temos memória curta. Para desdramatizar o caso do telemóvel na escola Carolina Michaëlis, alguém se lembrou de um filme, Sementes de Violência. Em 1955, na América, o convívio entre professores e estudantes já nem sempre era idílico – e ainda não havia telemóveis. Mas com tantos séculos de história à disposição, poderíamos ter ido mais longe. Até 363, por exemplo, quando S. Cassiano de Ímola foi morto pelos seus alunos, armados para o devido efeito com os estilos de ferro com que escreviam. E embora muita gente não vá acreditar, a verdade é que o ministro da educação do imperador Juliano não era Maria de Lurdes Rodrigues.
Mas se um filme americano não chegou para pôr em perspectiva o último motivo de alarme nacional, muito menos a lenda de um santo. Tivemos assim de assistir às rábulas do costume, com uns a exigir a restauração urgente da palmatória e outros a explicar que existem “procedimentos” para gerir a “situação”. Na caixa de comentários de um jornal, alguém sugeriu à professora, com toda a seriedade, que convidasse a aluna para ir ao cinema, de forma a criarem “uma nova relação”. Que fazer? Viajar 200 anos para trás, quando é suposto os professores terem sido deuses para os seus alunos; ou 200 anos para a frente, quando professores e alunos conviverem, em pé de igualdade, numa harmonia sábia?
O mundo já não é como uns imaginam que foi, e ainda não é como outros desejam que venha a ser. E agora? Talvez seja a altura de todos fazermos um esforço para compreender isto: que, só por si, o braço-de-ferro filmado entre uma professora e uma aluna numa escola do Porto não compromete a democracia nem justifica um golpe de Estado. Bem sei que não é assim que os meus contemporâneos gostam de encarar estes episódios. Houve quem tivesse aproveitado para nos dar lições de história social, ou para partilhar connosco as suas pequenas teorias caseiras sobre o conceito de autoridade. Uma vez perdido o sentido das proporções, é difícil manter o sentido do ridículo.

É significativo que, entre tantos cursos abreviados de sociologia da família, ninguém se tivesse interessado por saber mais sobre a aluna, a professora ou a escola. E ninguém se interessou por esta razão: o nosso gosto actual é promover cada incidente, por mais restrito ou localizado, a um “grande problema”, de modo a podermos exigir a este ou àquele ministro soluções gerais e definitivas. Onde esperamos chegar por este caminho? Fará sentido esperar de um governo, mesmo tão poderoso e determinado como o nosso, que corrija com uma portaria as últimas décadas de evolução social?
Ese decidíssemos ver o caso da Carolina Michaëlis, não como um embaraço desta ministra ou mais uma lástima da civilização contemporânea, mas apenas como o problema daqueles alunos, daquela professora, daquela escola – e para ser resolvido a esse nível, independentemente de poder ser lamentado por todos? E postas as coisas assim, talvez devêssemos discutir o seguinte: em vez de estatutos e procedimentos confeccionados no ministério, não seria mais útil dar aos estabelecimentos de ensino do Estado a margem de manobra e os meios suficientes para lidarem com cada caso de indisciplina tal como parecesse mais adequado aos responsáveis no local, sem referência a autoridades externas?
É agora hábito falar do ensino opondo o estatal ao privado. A respeito de disciplina, a diferença é esta: numa escola privada há alguém que é suposto tratar da questão, e não simplesmente passá-la burocraticamente para a direcção regional e o ministério. Porque é que as escolas estatais não hão-de dispor da mesma autonomia e responsabilidade? E se cada escola do Estado fosse uma instituição com identidade e vontade próprias, em vez da célula anónima e passiva de um “sistema de ensino” definido e comandado a partir de uma rua de Lisboa? E se cada escola tivesse o seu próprio estatuto do aluno? E se cada escola pudesse escolher os seus alunos, e cada aluno escolher a sua escola?
Em vez de encarar as dificuldades do ensino estatal como um “grande problema”, que ninguém sabe resolver, a não ser reescrevendo o primeiro livro da Bíblia, porque não dividi-lo em muitos pequenos problemas locais, confiando em que seriam resolvidos da maneira possível pelas pessoas concretas a quem esses problemas dizem directamente respeito? Não, a “velha” não caiu, ao contrário do que chegou a antecipar o denodado documentarista da Carolina Michaëlis. Mas outra “velha” já deveria ter caído: a mania de falar do ensino de um ponto de vista impossível.”

fonte: http://jornal.publico.clix.pt/ .

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Vale a pena ler o post Terror na deseducação * de CAA via Blasfémias para perceber como a indignação se sobrepõe aos argumentos.

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