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Archive for Março, 2008

Ciência e Religião no The Times aqui.

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Câmara de Comuns

Novo blog de Política (Câmara de Comuns) constituído por personalidades do PS,PSD  e CDS tem início dia 1 de Abril.

PS – Marcos Sá e Ana Catarina Mendes, Nuno Gaioso Ribeiro, João Ribeiro, Carlos Manuel Castro e Óscar Gaspar

PSD –  Miguel Frasquilho, Graça Proença de Carvalho, Jorhe Nuno de Sá, Vítor Palmilha e Marina Ferreira

CDS – Pedro Mota Soares e João Maria Condeixa

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riddlesofexistencecapa.jpg Riddles of Existence de Theodore Sider e Earl Conee é uma excelente introdução à Metafísica Analítica. Vários problemas tradicionais da metafísica são aqui analisados segundo essa tradição. Parece-me que é apresentada de uma perspectiva céptica (mas não subjectivista ou relativista) uma vez que os problemas acabam em aporias. No entanto, sugere-se sempre que a última proposta apresentada no capítulo parece ser a melhor solução.Pessoalmente, considero que os capítulos escritos por Theodore Sider têm mais qualidade: são mais claros e super divertidos (Sider tem um senso de humor genial). Destaco os capítulos Time e Constitution que tratam do tetra-dimensionalismo que é a sua especialidade. Ainda que não sejam tão interessantes como os capítulos de Sider, penso que há dois bons textos de Conee: Why not Nothing? e What is metaphysics?. Este analisa o conceito de metafísica e aquele aborda de uma forma racional e rigorosa o problema que carácter heideggariano.

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O melhor texto que encontrei sobre a Educação e outros problemas sociais em Portugal:

“Portugal não pode continuar a ser um território de bandalheira, de falta de rigor, sem exigência
Os jornais davam até há anos regularmente sinal de que os parquímetros, na generalidade das ruas lisboetas, eram vandalizados. A experiência comum de qualquer automobilista que quisesse cumprir os seus deveres, quando estacionava, apontava no mesmo sentido. A opinião dominante era que nada havia a fazer: os “moedinhas” vandalizavam para continuarem a receber gratificações por um serviço que em regra nem era solicitado e, dizia-se, grupos de cidadãos do Leste estavam organizados para abrir com violência as caixas onde se depositavam as moedas e com regularidade (dizia-se que de duas em duas horas) as iam esvaziando. Sem justiça social, nada a fazer, diziam psicológos encartados.
Por outro lado, os graffiti, mais ou menos artísticos (na opinião dos seus autores), inundavam paredes de Lisboa, afectando – por vezes de forma dificilmente reparável – património alheio com valor histórico e dando uma imagem de Lisboa como cidade degradada e porcalhona. Também aqui nada a fazer: a liberdade e a criatividade eram mais importantes do que a propriedade ou a limpeza.
As calçadas de Lisboa, que já estiveram ao rubro, estavam sujas, esburacadas, com passeios destruídos, dando um exemplo de área urbana de Terceiro Mundo, onde não apetece passear porque torcer um pé ou pisar lixo conspurcante eram o pão nosso de cada dia. Ainda aqui, nada a fazer: a CML não tinha dinheiro e os trabalhadores camarários eram excessivos, mas não serviam para este tipo de tarefas.
Apesar disso, dizem-me que está na prática resolvido o problema dos parquímetros, devido ao trabalho de brigadas sistematicamente atentas às reparações, não permitindo a rentável colecta das moedas por gangs mais ou menos organizados, sendo a recolha das moedas feita pelos profissionais para o efeito contratados pela EMEL.
Sei também de casos em que os proprietários de prédios, substituindo-se à ineficácia da CML, mandam limpar os graffiti logo após a sua produção e com isso os “artistas” que dão cabo do património alheio acabam por desistir: gastar tintas para laboriosos desenhos que não duram um dia torna-se desmotivador.
Em algumas zonas de Lisboa começa a notar-se que os buracos são tapados e o lixo é retirado, parecendo que nesses lugares as coisas não voltam ao ponto em que se encontravam, talvez porque a selvajaria dos portugueses se envergonhe quando as autoridades não pactuam com a pouca-vergonha.
Vem tudo isto a propósito da violência sobre professores e da indisciplina reinante nas escolas. Trogloditas de várias idades, selvagenzinhos habituados a que tudo lhes seja tolerado, impunes e com sensação de impunidade, apoiados por psicológos entontecidos e com teorias desculpabilizadoras, mal-educados e habituados à violência, fazem com que se instale nas escolas algo semelhante ao problema dos parquímetros, dos graffiti, e das ruas emporcalhadas.
Também nas escolas se pactua demasiado com esta bandalheira: a pretensa origem social dos problemas, a tese peregrina de que os problemas são “pontuais”, a falta de coragem dos responsáveis, o facilitismo e a convicção de que não vale a pena tentar lutar contra isto, tudo se acumula para que o sistema esteja a degradar-se cada dia mais. Como acontecia com os parquímetros, antes de haver quem se tenha convencido de que não se poderia tolerar a situação e com determinação ter atacado o mal e desse modo se resolvendo ou minorando muito os seus efeitos.
E o que ocorre nas escolas é muito mais grave do que nos outros exemplos que trouxe à colação. Em cada ano que passa sem que se crie disciplina, rigor e hábitos de trabalho nas escolas, a degradação acentua-se. A desmotivação dos professores, a convicção dos jovens de que nada lhes pode ser pedido, a diminuição dos graus de exigência estão a destruir o futuro e a consolidar um ciclo vicioso de degradação.É preciso por isso atalhar e depressa este estado de coisas. É preciso que os professores assumam as suas responsabilidades, que exijam condições para a disciplina, que denunciem a pusilanimidade que exista. É preciso que o absurdo Estatuto do Aluno seja revisto; é inadmíssivel que um estudante que faça o que se fez no Carolina Michaëlis (ou pior) só possa ser punido com dez dias de suspensão (mas com isso nenhum resultado nefasto terá) ou deslocado para outra escola! É preciso que os alunos possam chumbar por faltas, possam chumbar por falta de preparação, sintam na pele (eles e os paizinhos) que as coisas doem e não julguem que tanto faz trabalhar como não trabalhar porque o resultado final é sempre idêntico, a promoção automática para o ano seguinte.
É preciso também que os professores alterem a sua forma de enfrentar este tipo de problemas. O facto da professora ofendida por causa do telemóvel só ter participado depois dos factos surgirem no YouTube é sintomático: quantos professores preferem não fazer ondas, pactuar com a indisciplina, aceitar a anarquia, ceder ao medo e aos selvagens, em vez de os denunciar?
E os conselhos directivos também têm de mudar de vida. É inadmissível que prefiram silenciar as queixas de professores, funcionários e outros alunos, refugiando-se na estúpida teoria de que são situações pontuais, que se não pode criar alarme social, que são coisas de crianças, que o problema é da sociedade. É que esta maneira de agir desmotiva os professores e todos os que estejam dispostos a não ceder aos brutos, aos mal-educados, aos selvagens, aos que destroem a viabilidade de um ambiente que permita o desenvolvimento escolar.
O problema é geral e tem de ser enfrentado. Portugal não pode continuar a ser um território de bandalheira, de falta de rigor, sem exigência, em que se sente que não vale a pena cumprir as regras, respeitar as leis, trabalhar com dedicação. Ou então voltem a deixar rebentar com os parquímetros todos os dias” in Público

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É uma hipocrisia querer censurar o vídeo do deputado Geert Wilders sobre o Islão: o vídeo não tem mais do que factos, só nos dá a ver o que o Islão tem feito até agora. Por esse motivo nem pode ser considerado um hate speech O vídeo é violento e não aconselho a pessoas impressionáveis, mas pode ser visto aqui.

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O Presidente checo, Vaclav Klaus, o Presidente da Estónia, Toomas Hendrik Ilves, e o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, anunciaram que vão boicotar a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim.

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Família

“As questões fracturantes estão de volta e o debate político volta a animar. O “chumbo” de ontem do projecto do Bloco de Esquerda (BE) sobre o divórcio a pedido de um dos cônjuges, baseado apenas na vontade de uma parte, não retrata a real vontade da esmagadora maioria dos deputados em fazer evoluir o instituto do divórcio num sentido menos penalizador. E o debate volta ao Parlamento já a 16 de Abril, com o projecto anunciado do PS para acabar com a dissolução do casamento com base na culpa e assentá-lo em razões objectivas. O amor, para já, fica em segundo plano.
Comecemos pelo fim: de nada valeram os reptos e tentativas de acordo do PS e do PSD para que o BE deixasse os seus projectos baixarem à especialidade sem votação. Resultado: o divórcio unilateral sem invocação de motivos foi chumbado, por serem curtos os votos do BE, PCP e PEV juntos. PSD, CDS e a deputada do PS Matilde Sousa Franco votaram contra e garantiram que o projecto não passava. O PS absteve-se, assim como 13 deputados do PSD.”, in Público.

A ideologia de alguma esquerda é incoerente e se analisarmos esta proposta e as expectativas sobre o funcionamento da Educação, percebemos isso uma vez mais.

Muitos estudos demonstram que o ambiente familiar em geral e as relações entre membros da família em particular são factores muito importantes para a formação da criança. Assim, a família além de ser um valor que deve ser fomentado por ser bom, tem ainda um papel muito importante para a sociedade – é o groundwork e framework da sociedade. A família parece ser uma condição essencial para formar um bom cidadão.

Espera-se, normalmente, que a Educação comece em casa (há quem pense até que deve só ser feita em casa) e que se deve formar Homens com valores como solidariedade, tolerância e compreensão.

Posto isto, pergunto: se a Família é a base de tais valores, ao facilitar o divórcio e destruir a instituição familiar não se está a criar barreiras para que os cidadãos não tenham esses valores? É que se a base é essa, destruindo-a nada se pode construir por cima dela.  A contradição é que facilitando o divórcio está-se também a tornar menos possível que os cidadãos adquiram os valores que são tão desejados, i.e., por um lado, incentivam-se tais valores, por outro lado, fomenta-se a instituição que está melhor habilitada a dá-los.

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A Ler

 Coisas que o caso Carolina Michaëlis revela por João Miranda via Blasfémias.

A miúda das notíciais via Abrasivo.

Professores sem educação via Vida de Cadela.

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The Threatening Storm: The Case for Invading Iraq de Kenneth M. Pollack (Conselheiro para o Médio Oriente da Administração Clinton).

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Este texto de Fernanda Câncio no Diário de Noticias é o perfeito exemplo de um texto com reacções indignadas, pessoalismos e sem argumentos (muito estilo em detrimento do conteúdo):

“Parece que cada vez que “alguém fala do vídeo” à professora da luta pelo telemóvel no Carolina Michaëlis ela “começa a chorar e enerva-se”. Compreendo-a muito bem. Eu própria vou pelo mesmo caminho. Tenho a sensação de que se mais alguma vez vejo aquelas imagens ou oiço ou leio alguém falar em “agressão no Carolina Michaëlis” ou “a professora brutalizada pela aluna” ou, para ainda mais extraordinário, “nas coisas comprometedoras que a aluna alegadamente teria no telemóvel”, vou mesmo entrar em órbita. Ou chamar a polícia.”

Ler o restante texto aqui: http://www.dn.sapo.pt/2008/03/28/opiniao/adolescentes_inimputaveis_e_teves.html .

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Mais do mesmo, continua o triunfo da indignação:

A professora da Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto, que foi alegadamente vítima de agressão por uma aluna formalizou hoje uma queixa judicial contra a jovem. Além da estudante, a docente apresentou ainda uma queixa contra a turma onde ocorreu o incidente e um pedido de responsabilização para dois alunos maiores de 16 anos.A advogada da docente, Ana Espírito Santo, confirmou à Lusa que a professora apresentou três queixas distintas. Uma primeira queixa foi apresentada contra a aluna no Ministério Público, junto do Tribunal de Família e Menores do Porto. A advogada explicou que apesar da aluna viver em Matosinhos, a queixa só podia ser formalizada naquele tribunal, por ser o da área onde ocorreram os factos.No mesmo tribunal, foi apresentada uma queixa autónoma contra os restantes alunos menores da turma. Pouco depois, foi formalizada uma terceira queixa, no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Porto, contra dois alunos maiores de 16 anos, que já podem ser responsabilizados na justiça convencional.

A aluna arrisca-se a ser acusada de crimes de difamação ou ofensa ao seu bom-nome. Os outros alunos são responsabilizados na queixa por colaboração na “humilhação” da professora.” (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1323891&idCanal=58#Comentarios )

1. O trabalho de uma professora consiste em ensinar a matéria e não em educar.

2. Se alguma aluna viola uma das regras para o bem-estar da aula é convidada a sair.

3. Se a aluna não sair voluntariamente a professora tem legitimidade para pedir ajuda a um agente de segurança.

4. Não é da competência da professora punir o aluno coercivamente. Aliàs até é do interesse da professora não agravar a situação.

5. A professora em causa tentou retirar um telemóvel à força de uma aluna e agora queixa-se duma situação que ela própria ajudou a fomentar.

6. Solução: regresso ao moralismo autoritário para obrigar os alunos a cumprirem as regras.

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Não é possível pressionar a China com sanções económicas. Sendo assim, parece que a melhor maneira é boicotar os Jogos Olímpicos. No entanto, Durão barroso afirmou hoje que «Não estamos de forma alguma seguros que qualquer eventual boicote levasse a um maior respeito pela lei da China ou no Tibete. De forma alguma“.

Ora, em primeiro lugar, a experiência mostra exactamente o contrário e podemos ver alguns exemplos no post de  Carlos Loureiro no Blasfémias. Parece que é o método mais eficaz.

Em segundo lugar, é óbvio que não podemos fazer um cálculo matemático sobre o resultado do boicote, como também não o poderíamos fazer quanto à Guerra no Iraque (que Durão Barroso apoiou), nem a nenhum comportamento social. Podemos prever resultados, calcular probabilidades, mas a certeza nunca temos. As probabilidades mostram-nos que há boas razões para acreditarmos que o boicote é uma boa medida, pois casos anteriores tiveram resultados positivos.

Por fim, o boicote é a mais digna das medidas. Não simpatizo com guerras, apesar de às vezes serem necessárias – aprecio muito mais um método pacífico, no caso do Irão sanções económicas e no caso da China o boicote.

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Vale a pena ver o post de André Azevedo Alves no Insurgente sobre a nova proposta do PS acerca do casamento aqui.

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Um dos problemas do pós 25 de Abril é que se começou a rejeitar qualquer tipo de autoridade, hierarquia, disciplina e valores relacionados ao Estado Novo (Deus, Pátria e Família).

Não quero, obviamente, tomar uma posição a favor do Estado Novo; esta é, aliás, a crítica feita por aqueles que querem vencer a discussão com argumentos ad hominem em vez de argumentar: “se é do Estado Novo, então é fascista e logo está errado”. Pode haver boas e más ideias em todos os quadrantes políticos e por estarem associados a regimes que, em primeira análise, rejeitamos, isso não torna as ideias incorrectas.

A autoridade  e a hierarquia são rejeitadas porque todos devem ser iguais e não deve haver qualquer tipo de paternalismo ou sobrevalorização. Não há homens melhores que outros, não há qualidades nem defeitos, há apenas maneiras de ser diferentes. Também não há actos mais legítimos do que outros, tudo é relativo e devemos respeitar as maneiras diferentes de ser. Este ponto de vista é, a meu ver, o culpado do estado caótico em que Portugal está. Em casa, tudo é permitido, não há regras, porque, afinal de contas, ter uma posição firme é errado. Nas escolas, o Professor está ao mesmo nível que o aluno, logo não tem que lhe dizer o que fazer, até pode o aluno a dizer-lhe alguma coisa como “Dá-me já o telemóvel”. A autoridade é justificada porque há valores que são melhores, mais racionais e mais legítimos do que outros e, caso seja necessário, a autoridade e até a força devem ser usadas. O melhor exemplo é a violação dos direitos humanos: se for necessário exercer a força para fazer frente a esses violadores, então esse uso é legítimo. Portanto, também existe hierarquia de valores. Um homem que trata uma mulher com a mesma consideração a que trata um homem tem valores mais valiosos do que um que a trata com menos consideração moral. Numa palavra, a autoridade e a hierarquia são legítimas e a razão pela qual o são é que os valores não são relativos e, por conseguinte, podemos afirmar que há pessoas e ideias melhores que outras e, se for necessário o exercício da autoridade para que esses fins sejam alcançados, então esta é legítima.   Repare-se como este argumento justifica um estado que deve ter alguma intervenção na vida dos cidadãos – quando há valores fundamentais que são violados e se as vítimas não têm possibilidades de se defender, então o estado deve intervir.

Devo ainda denunciar um erro lógico do raciocínio daqueles que rejeitam a hierarquia. Dizem eles que não deve haver valorização de valores porque todos são iguais, logo deve valorizar-se a ausência de hierarquia. Ora, a conclusão não se segue das premissas: afirmar que a ausência de hierarquia é melhor do que a presença, é dizer que uma é mais valiosa do que a outra; mas se não há valores melhores que outros então não se pode avaliar um relativamente ao outro.

A disciplina é também legítima não só porque é um elemento necessário à autoridade como também pela sua íntima relação com a racionalidade. Entendo por pessoa disciplinada aquela que pensa racionalmente nas regras com que se depara e sabe quando as deve aceitar ou não. Por oposição, alguém indisciplinado é alguém que irracionalmente rejeita qualquer regra. Ora, se a racionalidade é algo de bom e se a disciplina tem a propriedade de ser racional e a indisciplina de ser irracional, então a primeira é mais valiosa do que a última.Relativamente aos valores do Estado Novo, Deus, Pátria e Família, considero que todos eles podem ser aceites na sociedade, desde que não sejam fundamentalistas.

Relativamente aos dois primeiros, todos nós temos liberdade de culto, podemos adorar o que quisermos, tendo sempre em conta a máxima já antiga “A minha liberdade termina onde começa a liberdade do outro”. Isto é, se ter esses valores implica uma intrusão ou perseguição na vida dos outros, então não é legítima. Por exemplo, se os Católicos resolverem matar as pessoas que, segundo eles, têm o diabo no corpo, ou se os nacionalistas resolverem pôr os imigrantes em campos de concentração, então esta crença é ilegítima por violar o princípio da liberdade.   Por outro lado, parece-me que ter orgulho na História de Portugal ou dar a outra face são valores inofensivos.

A família parece-me ser um valor que deve ser fomentado porque é importante na formação dos seus elementos e tem resultados no modo de agir na sociedade. Porém, cada família deve decidir como gerir isto, mas terá de saber arcar com as suas consequências – no Reino Unido, os pais dos alunos que faltam às aulas são multados, por exemplo.

Concluindo, os portugueses têm um complexo com figuras de autoridade e rejeitam qualquer associação com o regime tirano do Estado Novo. Todavia, há valores que não devem ser rejeitados só porque historicamente parecem estar ligados a um regime. Claro que este factor é relevante, mas o cerne da discussão deve ser através de argumentos racionalmente elaborados.

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Porque é que não há discussões com este nível em Portugal?

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