Análise social

Junho 7, 2008 by carlos sacramento

“Não vale a pena falar aqui das distorções que o Estado-Providência provoca: desde um enorme aparelho administrativo, que não funciona ou funciona mal, à irresponsabilidade do indivíduo. O problema é que o dinheiro deixou de chegar para a espécie de vida que ele instaurara e se tomava agora por garantida. Na “Europa” inteira (menos na América) governo atrás de governo tentou reduzir ou “racionalizar” o “monstro”, para ser logo vilificado e expulso. Os serviços pioraram, a carga fiscal aumentou. Mas ninguém conseguia conceber que a “idade de ouro” acabara de vez. Para os portugueses, que verdadeiramente não a conheceram, a renúncia é ainda pior. E a resistência, contra a lógica e a realidade, será também por isso muito pior.” - Vasco Pulide Valente no jornal O Público.

As ideias de Obama

Junho 6, 2008 by carlos sacramento

Desconfio que depois de lerem isto muitos europeus progressistas pró-obama fiquem desiludidos em ver um negro/branco chegar ao cargo de presidente dos E.U.A. mas para alimentar o ódio ao Bush tudo serve:

Economia
Redução dos impostos das classes médias e populares, aumento da carga fiscal das classes mais ricas, políticas comerciais “justas” que protejam os consumidores e o ambiente. Aumento do salário mínimo, indexado à inflação. Renegociação do Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), através de consenso com o México e o Canadá (que já tranquilizou).

Energia
Aposta na independência energética, através de investimentos maciços nas tecnologias alternativas, redução do consumo de energia e da emissão de gases, subida do preço da electricidade. Aumento da produção de energia nuclear. Redução das importações de países “mais poluidores”.

Saúde
“Na saúde, gastamos por pessoa o dobro da França e do Canadá porque o nosso sistema é ineficaz” e deixa de fora 47 milhões de americanos. Propõe novos sistemas de seguros de saúde privados acessíveis às classes pobres, mas não obrigatório para todos, apenas para as crianças (Clinton propunha a cobertura universal).

Questões de sociedade
Legalização dos imigrantes clandestinos, autorizados a tirar a carta de condução e a ter acesso aos seguros de saúde. Favorecer a sua naturalização - mas manter o “muro” na fronteira mexicana. Não crê na eficácia da pena de morte, mas opõe-se à abolição. Defende o direito das mulheres ao aborto. Desaprova o casamento de homossexuais, preferindo a união civil.

Segurança interna
Encerrar Guantánamo e restituir aos detidos o direito ao habeas corpus, restabelecendo “a boa reputação dos EUA”. Oposição radical à tortura. “Podemos respeitar a Constituição e garantir a nossa segurança.” Criticou a aplicação do Patriot Act, mas votou a sua renovação em 2006.

“Uma página para a frente, duas para trás” de Rui Ramos no Público

Junho 4, 2008 by carlos sacramento

“Ferreira Leite - o terceiro líder do PSD em menos de um ano - anunciou que, consigo, o partido virou uma página. Pode ser que sim. Resta saber se foi uma página para a frente ou uma página para trás. Já muita gente, entretanto, discorreu sobre o partido repartido aos terços. Com o devido respeito pela sabedoria da tribo, talvez não seja esse o facto mais interessante destas directas do PSD. No sábado, houve mais eleitores a absterem-se do que a votar em qualquer dos candidatos. Dos 77.088 militantes com direito a voto no dia 30 de Maio, quase metade - 41% - renunciaram a escolher. E isto numas eleições em que era suposto os eleitores serem “militantes” e em que não faltavam razões aparentes de mobilização: havia mais do que uma candidatura com esperanças de ganhar, os candidatos exageraram as diferenças entre si, toda a gente dramatizou o que estava em causa (a própria existência do partido), e até houve dois debates televisivos. Mais do que “dividido”, o PSD parece desmotivado.
Para animar a eleição, opôs-se a “credibilidade” de Ferreira Leite ao “populismo” de Santana ou à “juventude” de Passos Coelho. Mas aparte uma ou outra opção avulsa (por exemplo, privatizar ou não a CGD), que distinguia programaticamente os candidatos? É verdade: Passos declarou-se “liberal”, e Ferreira Leite preferiu conservar-se “social-democrata”. Qual, porém, a diferença inultrapassável entre o “liberalismo” dele e a “social-democracia” dela? Ou entre essas duas coisas e o “populismo” atribuído a Santana? Todos desejaram menos Estado, e todos se preocuparam com as “questões sociais”. Tal como Menezes, Mendes e os demais líderes do PSD. Em suma, o que havia para escolher eram pessoas, com os respectivos estilos, imagens e amigos. Não era de modo nenhum uma escolha secundária, mas não motivou demasiado, nem produziu um resultado suficientemente decisivo. Com os votos distribuídos em três partes mais ou menos iguais, nenhum dos candidatos conseguiu dar aos outros razões para deixarem de andar por aí. Às primeiras dificuldades, regressará o ruído que acompanhou as lideranças de Mendes e de Menezes. Muito provavelmente, Ferreira Leite aguentará melhor do que Menezes - se não tiver uma “câmara de Lisboa”, como Mendes.
Há quem, como tratamento, recomende ao PSD a adopção urgente da fórmula política que anima as direitas europeias mais bem sucedidas: o PSD devia transformar-se num partido para os liberais e conservadores que estão à direita do PS. É uma óptima ideia, que só tem este problema: o PSD já é um partido de direita, para liberais e conservadores. Como votou a maioria dos deputados do PSD no caso da lei do aborto? Como teria votado a maioria dos conservadores. O que dizem os líderes do PSD sobre o papel do Estado? O que os liberais costumam dizer. E onde se situam os eleitores do PSD, quando sondados acerca da sua posição no leque político que vai da direita à esquerda? Segundo um estudo recente, muito mais à direita do que os do CDS. Porque é que então a classe dirigente do PSD insiste nas velhas máscaras e subterfúgios a que a direita portuguesa recorreu para sobreviver em 1975? Porque é que, mesmo quando confessa ser “liberal”, logo acrescenta nervosamente não ser de “direita” (Passos Coelho)?
Porque a classe dirigente do PSD tem uma estratégia muito singela: trata-se de herdar o governo à boleia da corrente “crise”, e depois utilizar o Estado para impor disciplina ao partido. A fim de chegarem ao poder, as outras direitas europeias têm andado a propor aos seus eleitorados visões do mundo e da sociedade alternativas à das esquerdas. Por isso, procuraram inspiração nas tradições conservadoras e liberais, e assumiram finalmente, onde isso já não era claro, uma identidade diferente da esquerda. Os donos do PSD, com poucas excepções, são demasiado espertos para se darem a esse trabalho ou correrem esses riscos. Pior: acreditam que, em Portugal, não vale a pena. O “povo” que conhecem é aquela clientela autárquica a quem, com a competente ironia, atiram “carne assada” nas festas do partido. Habituaram-se a imaginar os portugueses como uma massa provinciana e desesperada. Esperam por isso que, sem muito esforço da parte deles, a não ser o de porem caras muito sérias, de quem sabe tudo, este povo neo-realista venha a acreditar que basta substituir Sócrates por Ferreira Leite para os preços baixarem.
Ferreira Leite conseguiu dar pelo facto de os portugueses terem deixado de “respeitar” o PSD. Talvez as coisas mudem quando os donos do PSD começarem a respeitar os portugueses.”

Barack Obama vence Hillary Clinton

Junho 4, 2008 by Luís Rodrigues

Islão e Marxismo

Junho 3, 2008 by Luís Rodrigues

“Nas suas manifestações políticas o Ressurgimento do islão tem alguma analogia com o marxismo: as suas escrituraS, uma visão da sociedade perfeita, o empenhamento numa mundança fundamenal, a rejeição dos poderes estabelecidos e do Estado-nação e a diversidade doutrinal, desde o reformista moderado ao revolucionário violento”, O Choque das Civilizações, Samuel P. Huntington

Sarkozy e Imigração

Junho 3, 2008 by Luís Rodrigues

Proposta de Sarkozy para a Imigração na Europa aqui.

A caminho das nacionalizações II

Junho 2, 2008 by carlos sacramento

“A esquerda “colonizada pelo neoliberalismo”, ao nível das ideias e da linguagem, precisa de “libertar-se” dessa companhia disse, ontem, Manuel Alegre. O ex-candidato à Presidência da República, que participava num debate no Porto, defendeu também, se for caso disso, a renacionalização de sectores estratégicos da economia portuguesa.”

Fonte: (http://www.dn.sapo.pt/2008/06/01/nacional/alegre_defende_nacionalizacoes_for_p.html)

Será o último dia de Clinton?

Maio 31, 2008 by Luís Rodrigues

“Hoje é o dia da verdade para a campanha da senadora e antiga primeira-
-dama, Hillary Clinton: se o comité de regulamentos do Partido Democrata decidir validar os resultados das primárias do Michigan e da Florida, a candidata poderá manter-se na corrida pela nomeação para a Casa Branca e até reclamar ser a depositária do maior número de votos dos eleitores democratas” in Público

“Estado Social”, de João Miranda no DN

Maio 31, 2008 by carlos sacramento

“Fala-se em crise, pobreza e desigualdade. Vital Moreira, Mário Soares e Manuela Ferreira Leite defendem mais redistribuição de riqueza. Mário Soares garante que a crise já está a afectar os pobres e a classe média. Os pobres e a classe média são os portugueses quase todos. Sobra um número reduzido de ricos. A crise, a pobreza e a desigualdade terão que ser resolvidas pela caça ao rico. Mas, em Portugal, o rico é um animal raro e fugidio. Por boas razões. A criação de riqueza é desprestigiante e perigosa. Ser rico não compensa o trabalho que dá enriquecer. A maior parte dos portugueses não quer pagar a riqueza distribuída pelo Estado. Quer recebê-la.

Vital Moreira garante que Portugal é um Estado Social com excelentes mecanismos de protecção dos mais desfavorecidos. Tem razão. Pelo menos do lado da despesa isso é verdade. O Estado gasta, sob os mais variados pretextos sociais, quase 50% da riqueza produzida pelos portugueses. Mário Soares diz que não chega. O subsídio de desemprego não chega, o rendimento mínimo não chega, as pensões e complementos de reforma não chegam. Os sistemas de saúde e de educação gratuitos e igualitários não chegam. Os pobres e a classe média precisam de mais. A crise é cada vez pior e quase ninguém lhe escapa. Manuela Ferreira Leite até conseguiu descobrir aquilo a que chamou os “novos pobres”, pessoas que se passaram recentemente do lado dos contribuintes para o lado dos potenciais beneficiários do Estado Social.

Todos concordam que o Estado Social é insuficiente. Os “novos pobres” precisam de novos mecanismos de combate à pobreza porque os que custam todos os anos metade do PIB não chegam. Precisamos, portanto, de mais Estado Social. Precisamos, sobretudo, de quem o pague. Gente para receber já cá temos de sobra. Precisamos de obrigar os raros portugueses que são produtivos e empreendedores a pagar mais impostos para sustentar um Estado Social mais avançado. Temos que o fazer rapidamente, antes que eles emigrem.”

fonte: http://www.dn.sapo.pt/2008/05/31/opiniao/estado_social.html .

Incentivos para não ter filhos

Maio 29, 2008 by carlos sacramento

“Crise? Só se for dos outros”, de Rui Ramos no Público

Maio 28, 2008 by carlos sacramento

“Sobem os preços do pão e do dinheiro, moderam-se as previsões de crescimento, e a superstição da tribo manda uma ideia morrer por isso: há-de ser, segundo querem alguns, o “liberalismo”. Mas estarão os nossos problemas resolvidos, se houver menos gente a ler Hayek? Em Portugal, por exemplo, com um Estado que gasta o equivalente de metade da riqueza nacional, que impôs uma carga fiscal inédita para o nosso nível de desenvolvimento, que conserva um sistema de protecção do emprego dos mais rígidos do mundo, que controla as empresas de mil maneiras - será justo debitar ao tal “liberalismo” a culpa de não crescermos e haver desigualdade? E terá a solução de consistir em mais Estado e em mais controlo da vida de cada um pelo Estado?
Ah, como os compreendo, a estes desesperados penduras ideológicos da corrente “crise”. A sua táctica é velha: em vez de argumentarem, andam à procura de pretextos para declararem a morte dos adversários, poupando-se a todos os debates. É muito mais cómodo. Os chamados “liberais”, aliás, fizeram o mesmo há uma geração atrás. Lembram-se de 1989? Era o fim do socialismo, da história - e da necessidade de examinar e refutar o que os socialistas diziam. E agora não conseguem perceber Chávez e os outros chavistas latino-americanos. Do outro lado da barricada, uma parte da esquerda começou a tratar o subprime como o Muro de Berlim do capitalismo. Não se entusiasmem, porque já não é a primeira vez que se enganam. Há cerca de 30 anos, o primeiro choque petrolífero também foi acolhido triunfalmente como “a crise final do capitalismo”, “pior do que 1929″. O Vietname, como o Iraque agora, e Nixon, como Bush, ajudaram à festa. Portugal passou então ao “socialismo”. Era o vento da história. E que veio a seguir? Thatcher e Reagan. Há quem ainda não tenha percebido que a história não acaba quando nos convém.
Mas desde então não tem sido a nossa história uma terrível marcha “liberal”? É verdade que há bancos e televisões privadas. Para além disso, porém, o que vimos nos últimos 30 anos foi a transferência crescente de recursos dos indivíduos e famílias para o Estado. Em Portugal, segundo cálculos do dr. Medina Carreira, a carga fiscal em percentagem do PIB duplicou: de 18,7% em 1965 para 36,9% em 2007. Chamam a isto “liberalismo”? E, já agora, também não lhe chamem “justiça social”. Portugal, segundo o mesmo autor, foi o país da Europa em que mais aumentaram as despesas com protecção social em percentagem do PIB entre 1991 e 2002 (de 17% para 28%) - e aquele onde a desigualdade é maior e a pobreza não diminui.
Há aqui um grande equívoco. Na Europa do pós-guerra, o Estado social cresceu com a economia. Quando esta abrandou, por volta de 1973, passou a progredir através do fisco (na União Europeia a 15, os impostos em percentagem do PIB subiram, em média, de 33% em 1975 para 42% em 2000). E tem-se dado o nome de “liberalismo” à necessidade que os próprios defensores do Estado social sentiram de limitar esta progressão e de tentar relançar a economia, aumentando um pouco a margem de manobra dos empreendedores no mercado global. Mas o “liberalismo” não é a gestão do Estado social: é outro modelo social.
A esquerda “antiliberal” tenta fugir à discussão oferecendo-se, em sonhos, a cabeça do “liberalismo”. Do outro lado, também não há mais frontalidade. A direita dita “liberal” prefere fingir que os seus projectos são uma simples questão de “bom senso”, quando não os disfarça, como em Portugal, com os títulos do adversário (”social-democracia”). Há, neste momento, dois obstáculos a qualquer debate político interessante. Em primeiro lugar, a relutância de todos em assumirem o reverso do que propõem. O Estado social implica o controlo da vida de cada um pela burocracia - embora possa haver leis a garantir os indivíduos. O modelo cívico liberal pressupõe que cada um assuma as responsabilidades e enfrente as consequências das suas opções - embora possa haver instituições para impedir sofrimentos. Em segundo lugar, confunde-se o que se está a propor. O Estado social e o liberalismo não são receitas técnicas para diminuir a desigualdade ou para aumentar a riqueza. Não existem essas receitas - se existissem, não haveria debate, porque todos escolheríamos imediatamente o que nos garantisse maior conforto e maior igualdade. O liberalismo e o Estado social são maneiras de viver diferentes. E, em vez de andarmos a diagnosticar “crises” uns aos outros, talvez fosse melhor tentarmos esclarecer o que podemos e gostaríamos de fazer com as nossas vidas.”

Quiz Político

Maio 28, 2008 by carlos sacramento

Voltei a ter resultados “excessivos” no teste Quiz Político:

“De acordo com suas respostas, o perfil político no qual você se enquadra é… liberal.

Os liberais/libertários entendem que as pessoas são iguais em direitos e que o governo toma muitas decisões que deveriam ser tomadas pelos próprios indivíduos. Diferentes dos conservadores de direita, os liberais acreditam que a moral não deve ser imposta pelo governo, mas que as pessoas devem ser livres para buscar a verdade e a felicidade, pois uma ação só pode ser verdadeiramente virtuosa se decorrer da livre escolha. E, ao contrário da esquerda, os liberais entendem que, numa economia livre do protecionismo estatal, o lucro de uma pessoa corresponde à satisfação da necessidade de outra, gerando prosperidade para toda a sociedade.”

pode fazer o teste aqui: http://www.ordemlivre.org/node/153 .

How Liberal Or Conservative Are You?

Maio 28, 2008 by carlos sacramento

O meu perfil político:

“Overall: 80% Conservative, 20% Liberal

Social Issues: 75% Conservative, 25% Liberal

Personal Responsibility: 50% Conservative, 50% Liberal

Fiscal Issues: 100% Conservative, 0% Liberal

Ethics: 75% Conservative, 25% Liberal

Defense and Crime: 100% Conservative, 0% Liberal “

(Nota: “liberal” é encarado neste teste na acepção americana, ou seja, de esquerda ou democrata e “conservador” de direita, i.e., republicano).

Pode fazer o seu teste aqui: http://www.blogthings.com/howliberalorconservativeareyouquiz/ .

“Ocultismo”, de Desidério Murcho no Público

Maio 27, 2008 by carlos sacramento

“Há um factor histórico pouco conhecido que alimenta talvez todos os géneros de ocultismos ou tradições sapienciais, algo secretistas ou conspiratórias: numerologia, astrologia, criacionismo, ovnilogia, New Age, homeopatia, etc. Há evidentemente factores psicológicos que fazem estas patranhas ficar implantadas no cérebro de pessoas adultas, mas estes são mais amplamente divulgados: as pessoas tendem a aceitar ideias agradáveis ou confortáveis, por serem agradáveis ou confortáveis, e não se dão ao incómodo de tentar saber se são verdadeiras. Além de isso dar trabalho, ameaça pôr a nu uma fantasia saborosa e lá se vai uma parte do apoio psicológico que estas pessoas recebem de tais fantasias. Daí que seja sempre mais judicioso cravar firmemente na realidade as estacas dos nossos apoios psicológicos do que na esperança de que a realidade acabe por ser exactamente como daria imenso jeito que fosse.
O factor histórico, contudo, é menos conhecido e relaciona-se de perto com dois aspectos cruciais: o controlo do pensamento por parte de instituições políticas e religiosas, e o retrocesso civilizacional que a Europa atravessou durante mais de mil anos, depois da queda do Império Romano. James Gleick, na sua excelente pequena biografia de Isaac Newton (1642-1727), fala-nos das práticas ocultistas e alquímicas deste grande físico e matemático. Newton estava convencido de duas coisas: que os antigos já sabiam tudo (assim, as suas próprias descobertas eram apenas redescobertas); e que esse conhecimento primevo tinha sido ou perdido ou escondido pelas autoridades.
No contexto histórico em que Newton se encontrava estas crenças não eram muito destrambelhadas. Os conhecimentos científicos, filosóficos e artísticos gregos e romanos eram superiores aos da Europa dos séculos IV, V, VI e por aí em diante praticamente até aos séculos XVII e XVIII. Além disso, mesmo nesta altura, o conhecimento era cuidadosamente vigiado pelas igrejas cristãs e pelos estados europeus. Os manuscritos que sobreviviam nas bibliotecas mais antigas eram as mais das vezes exemplares únicos, por vezes nem sequer catalogados e não eram lidos há séculos. A probabilidade de uma pessoa se perder numa biblioteca dessas e descobrir um manuscrito com descobertas físicas ou astronómicas fundamentais não era negligenciável. E era ainda mais provável que, caso tal conhecimento não caísse no goto dos padres e dos políticos, essa pessoa fosse morta ou silenciada de outro modo.
Em tal contexto, o ocultismo não era disparatado. Hoje, contudo, não passa de desassiso. Apesar de o controlo político e religioso da investigação e do ensino ser infelizmente cada vez mais forte e assustador, há ainda muitas ilhas de liberdade intelectual. Ironicamente, estas ilhas não se encontram entre os praticantes do ocultismo, que não admitem a discussão crítica das suas crenças mais queridas. Tivessem estas pessoas perante o ocultismo um terço da saudável atitude crítica que têm perante a racionalidade e a ciência, e o mundo seria menos tolo do que infelizmente é.”

27.05.2008, Desidério Murcho, filósofo

Manuela Ferreira Leite é do PSD ou PCP?

Maio 26, 2008 by carlos sacramento

“Evidentemente defendo um SNS gratuito e de qualidade, mas, para que isto seja possível, necessariamente não pode ser gratuito para todos”, argumentou a candidata, para depois notar que, afastando a possibilidade de agravar a carga fiscal, “só há uma fórmula” para garantir a qualidade deste serviço: “Os que mais podem passarem a pagar; e os que menos podem terem um serviço de qualidade gratuito.”

(…)

“O PSD tem o dever de procurar novas soluções, em que o Estado ajude instituições de solidariedade social para resolver problemas desta natureza”, na certeza de que “há muito dinheiro mal aplicado” que pode ser canalizado para essas soluções.” (http://jornal.publico.clix.pt/, 26.05.2008, P.14)