Foi no século XIX que as críticas feministas às teorias políticas mainstream apareceram. Penso que a utilidade do feminismo para a teoria política é testar os limites dos princípios defendidos pelas teorias. Isto é, as teorias feministas introduzindo o género na discussão mostram até que ponto os princípios são cumpridos na teoria ou se os princípios são coerentes. Vou dar alguns exemplos que demonstram isto.
Mill, em The sunjection of Women, mostra como o liberalismo não pode ser fiel aos seus princípios se não incluir as mulheres na sua teoria. Os princípios fundamentais do liberalismo, a saber, individualismo, universalismo e egualitarianismo, não farão sentido se não forem aplicado a todos os indivíduos, indepentemente do género.
Okin em Justice, Gender and the Family analisa as teorias políticas contemporâneas levando-as ao limite. Focando-me no capítulo sobre Nozick, Okin mostra como a ideia de que temos sempre direito ao fruto do nosso trabalho e não há nenhuma justificação possível para retirar os nossos bens, acaba por ser uma contradição. Em suma, o argumento é o seguinte: se considerarmos que ter um filho é fruto da capacidade de produção de uma mulher (do seu trabalho), então ela tem sempre direito ao filho como propriedade dela, logo ele nunca poderá ter direito ao seu próprio trabalho no sentido a não ser que a mãe, dona dele, o liberte dessa prisão.
Gillian, emIn a Different Voice, desafia as teorias que tentam afastar da formulação dos princípios éticos os sentimentos e as disposições emocionais. Refere-se claramente à tradição kantiana que se abstrai de todas as particularidades e universaliza princípios pela razão. Um desafio importante desta obra é que levanta a questão de como é que os indivíduos aprendem a ser morais. Gillian sugere que cativar certos tipos de sentimentos nas crianças é relevante para os tornar “pessoas morais”. Esta posição desafia a abstracção radical que o filósofos fazem pra construir princípios. Outro desafio que é levantado nesta obra é o facto de as teorias racionalistas, como o liberalismo, serem sexistas devido ao facto de não incluirem o modo feminino de pensar a justiça. Segundo Gilliam, as mulheres têm tendência para não universalizar os princípios morais, mas sim para contextualizar e aplicar regras particulares a cada caso. Na medida em que as teorias racionalistas excluem este ponto de vista acerca dos procedimentos éticos, Gilliam conclui que o racionalismo é sexismo. Assim, os liberais analisam se há lugar para os sentimentos nas suas teorias.
Benhabib,em The generalized and concrete other e Young em Justice and the Politics of difference questionam a ideia de imparcialidade que os liberais propõem. Estas filósofas argumentam que é impossível ser completamnte imparcial e que a falsa imparcialidade leva à exclusão de grupos que já estão eoconomica and socialmente em desvantagem. Esta posição obriga os liberais a reformular a maneira como os seus princípios são aplicáveis à sociedade.
Em conclusão, o feminismo nao é, em geral, uma teoria política, é uma posição crítica, uma reavalição dos princípios morais que são expostos pelas teorias políticas mainstream.
“Em suma, o argumento é o seguinte: se considerarmos que ter um filho é fruto da capacidade de produção de uma mulher (do seu trabalho), então ela tem sempre direito ao filho como propriedade dela, logo ele nunca poderá ter direito ao seu próprio trabalho no sentido a não ser que a mãe, dona dele, o liberte dessa prisão.”
Uma pessoa não é objecto de propriedade. Isso é o básico da teoria (antiga) do direito natural. As coisas é que são. Daí a impossibilidade lógica de, por exemplo, alguém se vender como escravo.
Se o “argumento” de Okin fosse aceite (o bébé = bem de propriedade da mãe), teríamos que o bébé seria propriedade de todos aqueles que o “produziram”: mãe, pai, parteira, médicos, estado (que lhe subsídiou a gravidez e o hospital público, etc).
Quanto à importância do feminismo liberal, ela é nenhuma (no sentido em que ninguém lhe dá relevo e é ultra-residual dentro dos teóricos clássicos e contemporâneos). Em todo o caso, importância não é sinónimo de verdade (poderia ser nada importante, mas verdadeira/consistente como escola teórica). Mas mesmo como teoria, é uma escola muito inconsistente e baseada num empirismo primário, de uma escola nada liberal (o liberalismo é por essência apriorístico – enuncia princípios/verdades).
“Outro desafio que é levantado nesta obra é o facto de as teorias racionalistas, como o liberalismo, serem sexistas devido ao facto de não incluirem o modo feminino de pensar a justiça”
Modo feminino de pensar a justiça: tendência para a emocionalidade, para a parcialidade, para o maternalismo e (re)educação. Tudo o oposto da imparcialidade, essencial para um bom julgamento (se eu sei que o juiz é parcial, por que raio me lhe hei-de submeter?…). Teoria sem ponta por onde pegar.
A justiça serve para resolver diferendos entre partes em pé de igualdade formal.
Claro que estas teorias acima enunciadas servem para adequar a rábula do “mendigo perdoado após roubar um bife” às reivindicações das feministas (supostamente a classe “explorada”, tal como os “mendigos/pobres”). Como é claro, o homem do talho não tem nada que alimentar terceiros gratuitamente.
O Filipe é sem dúvida a pessoa que melhor consegue dizer muita coisa sem ter qualquer conteudo. Quanto ao comentário de Nozik, aconselho a leitura de Locke e depois pode seguir para outros liberiase libertários. Nºao tenho tempo para estar a explicar os conceitos libertários e liberais. Talvez fosse útil também ler as críticas feministas antes de as criticar. Eu não concordo com a maioria das críticas feministas, mas pelo menos li as obras. Agora os comentários que o Filipe faz são tão vagos que se percebe perfeitamente que só está a vender o peixe.
Estou só a desmontar pedantismo académico sem qualquer valor intelectual. Quanto a Nozick, Locke e outros, não esperei pela faculdade para os ler. Ok?
Ah, e como é evidente, Nozick não tem qualquer reconhecimento dentro dos intelectuais liberais de hoje. É um académico instalado, que rejeita qualquer debate aberto sobre as suas ideias e que não responde a interpelações. Só é discutido nas universidades, cujo pensamento de grupo é de natureza contagiosa, como é sabido.
“a pessoa que melhor consegue dizer muita coisa sem ter qualquer conteudo.”
Sem dúvida que o Luis é quem mais vejo com este perfil. E sei do que falo.
Só um banana pode responder a 4 comentários impessoais (sem qualquer ataque pessoal, nem coisa que se pareça, a não ser que o banana não aceite que se aponte o que recomenda como sendo um rol de embustes) com ataques pessoais. Diz bem do nível intelectual que para aqui vai. Cultura de debate inexistente. É patético.
Parece-me que o Filipe tem que ver o que é um ad hominens porque parece que não percebe a definição. Se afirmar que os comentários são vazios e não têm conteúdo é um ataque pessoal, há duas coisas a dizer: 1) os comentários que fez inicialmente são ataques pessoais às feministas, 2) o Filipe é um rapaz sensível. Se é sensível e se a sua crítica ao Feminismo é verdadeira (e é!), estou a ver que está muito próximo da maneira de pensar no feminino. Óptimo, eu não condeno!
Se não gosta do “nível intelectual”, ninguém o obriga a cá vir. Além de feminista é masoquista?
Já agora, esta máxima “[Nozick] Só é discutido nas universidades, cujo pensamento de grupo é de natureza contagiosa, como é sabido.” tem um suporte racional forte. Realmente, nas universidades, onde de facto “existe debate” é onde não existe debate?
“a pessoa que melhor consegue dizer muita coisa sem ter qualquer conteudo.” Sem dúvida que o Luis é quem mais vejo com este perfil. sei do que falo.” Fico contente que fale com conhecimento.
No final, fiquei sem perceber se realmente leu as feministas ou se só se identifica com elas.
Caros colegas (se assim se pode dizer),
permitam-me ousar interromper-vos em tal debate desprovido de sentido.
Depois de ler muito atenciosamente os vossos comentários, pareceu-me haver, de certa forma, um deslocamento do assunto para outros niveís menos desejáveis. Seria muito mais proveitoso certos comentadores aqui presentes, manterem-se mais fiéis ao assunto em questão, em vez de produzir puras verborreias, temperadas com falácias ad hominem!
Afigura-se-me também que, o ilustríssimo Filipe, não tem uma argumentação lógica. Não argumenta e fala vagamente. É como uma cebola, tem imensas camadas, mas é sempre a mesma coisa.
Já ponderou cingir-se apenas aquilo que deveras interessa?
(já era altura para se voltar à tertúlia, em vez de fugir ao assunto, tentando rebaixar outros aqui presentes. Contudo, não me admira muito, pois essa atitude é a mais natural quando se perdem argumentos. Não será isso que se passa com o senhor Filipe?)
Muito obrigada.
“Seria muito mais proveitoso certos comentadores aqui presentes, manterem-se mais fiéis ao assunto em questão, em vez de produzir puras verborreias, temperadas com falácias ad hominem!
Afigura-se-me também que, o ilustríssimo Filipe, não tem uma argumentação lógica. Não argumenta e fala vagamente. É como uma cebola, tem imensas camadas, mas é sempre a mesma coisa.”
Tudo isto que a Lídia disse encaixa melhor no seu discurso.