Um reparo sobre o entusiasmo com Barack Husein (não sei se o teu entusiasmo é o mesmo que este, mas aqui deixo o meu testemunho): muitos dos apoiantes do senador democrata preferem arriscar a derrota (logo, a nova vitória dos republicanos) e marcarem um pontinho na imparável luta do progressismo (com a eleição de um negro para o cargo de …candidato) do que assegurarem a vitória da presidência (segundo a maioria das sondagens) do seu campo (com Clinton) e tirarem assim os republicanos da presidência. Mais um exemplo de como as “boas” intenções (puxar para cima um negro esperando assim acabar com “preconceitos” sociais e com as “injustiças”) só impedem a obtenção dos “bons” resultados (derrotar os belicistas e capitalistas dos republicanos).
Acho curioso que o Filipe em vez de se focar em alguma ideia do Obama, prefere sempre pensar em teorias da conspiração progressistas e fazer psicologismos “os democratas pensam isto e aquilo, etc.” Aliás, os comentários que tem feito acerca do Obama são sempre desse género: ele não serve, vota-se nele porque é negro, ele é má pessoa. Os ataques pessoais e os psicologismos não servem de muito.
- Mas o entusiasmo é afinal mesmo aquele por ti sentido. Garanto que fiz uma observação genérica e não a ti dirigida. Mas enfiaste a carapuça, tudo bem, nada contra.
- Estou à espera do post “Obama e a Economia” que há tempos foi prometido.
- Já comentei muitas propostas concretas do Obama nessa altura, ou seja, é FALSO que “prefiro sempre pensar em teorias da conspiração progressistas”. Falso. E não são teorias da conspiração, são factos. Os progressistas estão todos atrás, ou do Obama (em maioria pois o anti-racismo é bissexual), ou da Hillary (o feminismo é em minoritário ao anti-racismo pois é 90% defendido por mulheres).
E, para acabar, não seria nada “curioso” que observadores perspicazes e subtis detectassem e denunciassem fraudes políticas promovidas por sentimentos estritamente irracionais e prejudiciais ao bem público e à liberdade (anti-racismo ou racismo, ou machismo ou feminismo).
Já eu não acho nada “curioso” que a maioria das pessoas esconda a cabeça na areia e não veja o que está por detrás das propostas (já em si erradas). Que não vejam o que vem dissimulado quando elegem políticos. 90% dos políticos têm um programa não-escrito (é preciso exemplos? posso dar, se for pedido) e vão a jogo apenas com aquilo que, calculadamente, tem menos riscos de os fazer perder.
Espero sinceramente que os americanos não elejam o Obama, seria a via mais curta para o aprofundar da decadência do seu país (com a Hillary, idem). Se o elegerem, merecerão toda a porcaria que vier. E não serei eu a chorar por eles.
Como é óbvio, a psicologia do voto é de grande importância para quem estuda fenómenos políticos. Factores sociológicos, religiosos, morais são tudo menos de desprezar chamando-lhes “teorias da conspiração”. Mas assim se vê o quanto se respeita o Conhecimento das coisas e a sua procura. Não só é digno de interesse como útil para os próprios agentes políticos, que não podem prometer e não cumprir depois em excesso pois aí o risco de não-reeleição é grande. Para quem defende valores de liberdade também tem todo o interesse perceber os fenómenos de sociedade com impacto nas instituições políticas. É evidente que são sempre fenómenos pré-políticos que prefazem e enformam situações políticas posteriores (fim das monarquias, abolocionismo, comunismo, ascensão do nazismo, democracia liberal, etc etc etc).
Analisar propostas é para jornalistas e comentadores políticos, não para cientistas e observadores genuinamente interessados em perceber o que se passa. Quanto às propostas do Obama, como já disse, já foram em boa parte por mim comentadas há tempos. Não tem nada que saber. Em economia, que é aquilo que mais interessa, é muito socialista (defender privilégios dos sindicatos, investir AINDA MAIS em tudo o que sejam causas populares, intervencionismo na banca, só para dar alguns exemplos). Depois defende todas as causas politicamente correctas do que é hoje popular (oportunidades para os jovens, aumento do salário mínimo, controlar mais a internet, subsidiar empréstimos aos mais pobres, promover a igualdade de oportunidades). Viva o socialismo.
Como penso já ter dito, o que ele propõe não destoa em demasia do que propõem os seus concorrentes (mesmo o republicano). O problema está no que não diz e que se sente demasiado (é ver o contraste entre o voting record extremamente à esquerda enquanto senador e a imagem de moderado e de homem de estado que tenta agora aparentar).
“Mas o entusiasmo é afinal mesmo aquele por ti sentido. Garanto que fiz uma observação genérica e não a ti dirigida. Mas enfiaste a carapuça, tudo bem, nada contra” A capacidade do Filipe tirar conclusões espanta-me completamente:
1) O Filipe faz vários comentários sobre a personalidade de Obama
2) Luís constata esse facto
3) Logo, o Luís enquadra-se nesses comentários
“Estou à espera do post “Obama e a Economia” que há tempos foi prometido. ”
Admira-me que alguém como o Filipe que defende tanto a propriedade privada queira mandar na gestão do meu blog, em vez de deixar ao meu critério quando fazer as coisas.
Aa afirmações que o Filipe faz de dizer que os votos no Obama são por ser negro e na Hilary é por ser mulher têm a mesma validade de eu dizer que No MccAin só votam gays porque por ele ser veterano isso os excita. Não sei se também concorda com isto. A mim parece-me delírio.
Já agora, entre a Hilary e o Mccain, prefiro o Mccain.
No começo, adorei a idéia de ter mulher no comando de uma super potência. E boa parte das mulheres americanas se sentiram do mesmo jeito. Seria muito interessante saber como ela atuaria. Todavia, depois de meses de campanha eleitoral, Clinton mostrou-se “old fashioned”, utilizado a mesma retórica arcaica e populista. O povo americano, independentemente de raça e sexo, estão cansados de hipocresia, demagogia e de redundancia política.
A maioria das americanas NÃO votaram em Clinton. Porém, a maioria dos negros votaram em Obama. Mas o que está em jogo aqui vai além de quem é branco, de quem é negro ou cafuso. O povo americano, de certa forma, nestas preliminares, deram um basta para o tipo de politicagem das promessas vazias. Hillary, infelizmente, não percebeu que o povo em geral quer algo novo, algo concreto, sem truques eleitorais.
Não estou aqui, porém, para dizer que ela seria uma má presidente se fosse eleita, pelo contrário.
Obama, querendo ou não, representa a inovação de um sistema ultrapassado. Da modernização do sistema político americano.
Porém, será muito difícil ganhar. Apesar de toda inovação almejada continua, não generalizada, conservadora e racista.
McCain é a personalização deste sistema obsoleto. Por mais que ele tente mudar a campanha para se afastar das comparações com o governo atual de Bush, não vai conseguir. Não obstante, há aqueles que ainda preferem o usual do que o novo!
“Aa afirmações que o Filipe faz de dizer que os votos no Obama são por ser negro e na Hilary é por ser mulher têm a mesma validade de eu dizer que No MccAin só votam gays porque por ele ser veterano isso os excita. Não sei se também concorda com isto. A mim parece-me delírio.”
Há dados empíricos (sondagens, estudos de opinião, etc) que provem a atracção dos gays pelo McCain? Pois. Delirante é dizer que afirmações com base em estudos são delírio. Mostra, primeiro, falta de conhecimento da realidade (dos dados, neste caso), e, segundo, falta de bom senso na análise: mesmo sem dados, seria bem mais plausível ver indios votar num indio, mulheres votar numa mulher, deficientes votar num deficiente, do que gays votar num hetero-militar-republicano.
“Admira-me que alguém como o Filipe que defende tanto a propriedade privada queira mandar na gestão do meu blog, em vez de deixar ao meu critério quando fazer as coisas.”
Dizer estar à espera um post que tinha sido previamente prometido de livre iniciativa pelo Luis é querer mandar no blogue? Estou à espera (bem sentado, contudo).
“Já agora, entre a Hilary e o Mccain, prefiro o Mccain.”
E?
vtfennell,
O universo dos estudos sociológicos de voto em Obama e em Hillary é, como é evidente, o dos eleitores democratas. Tendo isso em conta, concordo consigo que a maioria das mulheres americanas não votou na Hillary. Primeiro, porque só os militantes podem votar, segundo, porque só uma ínfima parte das mulheres americanas é militante de um partido.
Filipe: que estudo é que mostra isto “muitos dos apoiantes do senador democrata preferem arriscar a derrota (logo, a nova vitória dos republicanos) e marcarem um pontinho na imparável luta do progressismo “?
Felipe, vc é ilario!!
Este foi um ano recorde de número de eleitores americanos cadastrados para as eleições desse ano, incluindo mulheres e jovens.
Realmente, eu não sei da onde vc está tirando as sua “ímpiricas” conclusões, porque elas não condizem com a realidade. O livro “universo dos estudos sociologicos” , que vc gosta tanto de referir-se, está obsoleto. Está na hara de vc comprar um mais novinho!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
se vêem repetindo, só se justifica o voto em Obama por factores irracionais (anti-racismo, revanchismo negro, progressismo difuso e “liberalizante”, etc). Nada tenho contra o voto irracional, apenas denuncio que esse voto, e assim a eleição do Obama para candidato democrata, é essencialmente irracional. Disso é a prova as tretas que são ditas sobre a sua “magia” e outras balelas sobre carisma.
Um candidato eleito segundo factores essencialmente emocionais não traz nenhuma garantia de resolução dos problemas de um país como os EUA. É uma irresponsabilidade. Não se vai lá com retórica, mas com ideias correctas e sólidas. Em Obama, muito poucas.
O voto democrata em Hillary tinha muito de feminista mas era sobretudo motivado por factores económicos, esperando dela o devido socialismo (na saúde, por exemplo). As classes mais baixas votaram nela massivamente.
Corolário disto tudo (e que resume, penso, bem a situação):
-Candidato carismático e populista: mau
-Candidato carismático e populista negro num país “racista”: bom
Corolário alternativo:
-Actos irracionais não resolvem situações concretas: o racismo não se erradica com a eleição de um representante de um dos lados da barricada, os racistas não deixarão de ser racistas por de repente terem um preto na presidência, muito provavelmente ficarão ainda mais frustrados e…racistas. Problemas concretos resolvem-se, se é que podem ser resolvidos, com inteligência e não com demagogia e progressismo declamatório.
O estudo não demonstra nada do que disse, muito menos que “muitos dos apoiantes do senador democrata preferem arriscar a derrota (logo, a nova vitória dos republicanos) e marcarem um pontinho na imparável luta do progressismo “.
O voto irracional há de facto do lado do Obama, mas isso há em todos os candidatos. Afinal, os eleitores votam muitas vezes por identificação com grupos e por aquilo que os presidentes representam.
Posso conceder para o bem da discussão que o voto no Obama é todo irracional. Vamos supor que não existe uma única pessoa que vota no Obama que o faz racionalmente, mas sim emocionalmente. Será que isto prova a) que ele não é um bom candidato, b) que um candidato que tem eleitores racionais garanta melhores resultados
a) Não prova que ele é bom nem mau candidato. Ele pode ser mau porque simplesmente engana as pessoas. Pode ser bom porque o facto de provoca emoções às pessoas não significa que ele próprio não tenha boas ideias. O que o Filipe faz é pôr a reacção dos outros como propriedade da personalidade do Obama. Isso não tem sentido nenhum. Se a pessoa x se apaixona pela pessoa y (ou seja, fica emocionalmente “ligada” ou como quiser definir paixão) não significa que a pessoa y tenha a característica de ser irracional para que a pessoa x goste dela.
b) A ideia de que a racionalidade é a justiça é uma ideia platónica que está abslutamente errada. Uma pessoa pode ser racional e isso não faz com que esteja a proceder bem. Imaginemos que Chavez nacionalizava toda a Economia. A intenção dele é conseguir ganhar o máximo de dinheiro com isso e não ser justo (não estou a dizer que concordo que isto seja justiça, não se enerve!) Se este for o melhor método (vamos supor que é), então ele está a ser racional. Os eleitores que votaram nele verificaram que esta é a melhor maneira de ganhar dinheiro, uma vez que apenas 5% da população controla a Economia. Assim, os 95% dos cidadãos votaram racionalmente e o Filipe concordaria aqui que a eleição de Chavez seria melhor do que a do candidato que não nacionalizaria a Economia?
Por fim, a observação que eu fiz foi acerca daquilo que o Filipe usa para criticar o Obama, a saber, que os eleitore que votam nele não são bons eleitores e não que as ideias do Obama são más.
Desculpa, mas estamos a falar de primárias. Apoiar um candidato que é dado como perdedor é 100% irracional. Lamento. O objectivo de primárias onde já se sabe quem é o adversário é escolher um candidato “competente”, isto é, que possa derrotar esse adversário.
E ainda sobre “racionalidade”: eu disse que votar num perdedor era irracional, não disse que os eleitores do Obama eram irracionais “em si”, ou que defendiam ideias “irracionais” (por acaso, acho que são todas irracionais, mas é irrelevante, até podiam ser ideias 100% consistentes e o voto nesse candidato ser contudo irracional se as sondagens o dessem perdedor).
A irracionalidade do voto só tem duas possíveis fontes:
- o desconhecimento do método de eleição do presidente
- a fé na vitória, sem ter em conta as probabilidades da mesma, assente na defesa de ideologias emocionalmente apelativas.
Como não penso que o povo americano desconheça como se elege o seu presidente, só consigo concluir que é a 2ª opção.
“Isso não tem sentido nenhum. Se a pessoa x se apaixona pela pessoa y (ou seja, fica emocionalmente “ligada” ou como quiser definir paixão) não significa que a pessoa y tenha a característica de ser irracional para que a pessoa x goste dela.”
Como é óbvio isso é o caminho para a ditadura: escolher políticas públicas com fundamentação emocional/passional. O bem público não pode estar dependente das paixões das pessoas. Por isso, e por muitas outras razões, sou contra a democracia.
Em todo o caso, satisfaço-me no papel de Cassandra. Dá-me um certo gozo ver os EUA votar em Obama ou em McCain e saber de antemão que ambos vão aprofundar a crise que está apenas a começar. Também me dá um certo gozo ver a insistência dos “analistas” em culparem o capitalismo “desenfreado” como origem dos males do ocidente. Pensar que um fala barato socialista como o Obama pode resolver o que quer que seja só me dá vontade de rir, digo-te sinceramente. McCain idem (em menos burro, mais experiente e menos socialista, é certo). Acabar com o racismo com um político negro? Acabar com a pobreza com mais redistribuição e intervenção nas regras do comércio?
Um reparo sobre o entusiasmo com Barack Husein (não sei se o teu entusiasmo é o mesmo que este, mas aqui deixo o meu testemunho): muitos dos apoiantes do senador democrata preferem arriscar a derrota (logo, a nova vitória dos republicanos) e marcarem um pontinho na imparável luta do progressismo (com a eleição de um negro para o cargo de …candidato) do que assegurarem a vitória da presidência (segundo a maioria das sondagens) do seu campo (com Clinton) e tirarem assim os republicanos da presidência. Mais um exemplo de como as “boas” intenções (puxar para cima um negro esperando assim acabar com “preconceitos” sociais e com as “injustiças”) só impedem a obtenção dos “bons” resultados (derrotar os belicistas e capitalistas dos republicanos).
Vai perder contra McCain. Lamento.
Um reparo sobre o entusiasmo com Barack Husein (não sei se o teu entusiasmo é o mesmo que este, mas aqui deixo o meu testemunho): muitos dos apoiantes do senador democrata preferem arriscar a derrota (logo, a nova vitória dos republicanos) e marcarem um pontinho na imparável luta do progressismo (com a eleição de um negro para o cargo de …candidato) do que assegurarem a vitória da presidência (segundo a maioria das sondagens) do seu campo (com Clinton) e tirarem assim os republicanos da presidência. Mais um exemplo de como as “boas” intenções (puxar para cima um negro esperando assim acabar com “preconceitos” sociais e com as “injustiças”) só impedem a obtenção dos “bons” resultados (derrotar os belicistas e capitalistas dos republicanos).
O smile acima é o fecho da parentese.
Acho curioso que o Filipe em vez de se focar em alguma ideia do Obama, prefere sempre pensar em teorias da conspiração progressistas e fazer psicologismos “os democratas pensam isto e aquilo, etc.” Aliás, os comentários que tem feito acerca do Obama são sempre desse género: ele não serve, vota-se nele porque é negro, ele é má pessoa. Os ataques pessoais e os psicologismos não servem de muito.
- Mas o entusiasmo é afinal mesmo aquele por ti sentido. Garanto que fiz uma observação genérica e não a ti dirigida. Mas enfiaste a carapuça, tudo bem, nada contra.
- Estou à espera do post “Obama e a Economia” que há tempos foi prometido.
- Já comentei muitas propostas concretas do Obama nessa altura, ou seja, é FALSO que “prefiro sempre pensar em teorias da conspiração progressistas”. Falso. E não são teorias da conspiração, são factos. Os progressistas estão todos atrás, ou do Obama (em maioria pois o anti-racismo é bissexual), ou da Hillary (o feminismo é em minoritário ao anti-racismo pois é 90% defendido por mulheres).
E, para acabar, não seria nada “curioso” que observadores perspicazes e subtis detectassem e denunciassem fraudes políticas promovidas por sentimentos estritamente irracionais e prejudiciais ao bem público e à liberdade (anti-racismo ou racismo, ou machismo ou feminismo).
Já eu não acho nada “curioso” que a maioria das pessoas esconda a cabeça na areia e não veja o que está por detrás das propostas (já em si erradas). Que não vejam o que vem dissimulado quando elegem políticos. 90% dos políticos têm um programa não-escrito (é preciso exemplos? posso dar, se for pedido) e vão a jogo apenas com aquilo que, calculadamente, tem menos riscos de os fazer perder.
Espero sinceramente que os americanos não elejam o Obama, seria a via mais curta para o aprofundar da decadência do seu país (com a Hillary, idem). Se o elegerem, merecerão toda a porcaria que vier. E não serei eu a chorar por eles.
Como é óbvio, a psicologia do voto é de grande importância para quem estuda fenómenos políticos. Factores sociológicos, religiosos, morais são tudo menos de desprezar chamando-lhes “teorias da conspiração”. Mas assim se vê o quanto se respeita o Conhecimento das coisas e a sua procura. Não só é digno de interesse como útil para os próprios agentes políticos, que não podem prometer e não cumprir depois em excesso pois aí o risco de não-reeleição é grande. Para quem defende valores de liberdade também tem todo o interesse perceber os fenómenos de sociedade com impacto nas instituições políticas. É evidente que são sempre fenómenos pré-políticos que prefazem e enformam situações políticas posteriores (fim das monarquias, abolocionismo, comunismo, ascensão do nazismo, democracia liberal, etc etc etc).
Analisar propostas é para jornalistas e comentadores políticos, não para cientistas e observadores genuinamente interessados em perceber o que se passa. Quanto às propostas do Obama, como já disse, já foram em boa parte por mim comentadas há tempos. Não tem nada que saber. Em economia, que é aquilo que mais interessa, é muito socialista (defender privilégios dos sindicatos, investir AINDA MAIS em tudo o que sejam causas populares, intervencionismo na banca, só para dar alguns exemplos). Depois defende todas as causas politicamente correctas do que é hoje popular (oportunidades para os jovens, aumento do salário mínimo, controlar mais a internet, subsidiar empréstimos aos mais pobres, promover a igualdade de oportunidades). Viva o socialismo.
Como penso já ter dito, o que ele propõe não destoa em demasia do que propõem os seus concorrentes (mesmo o republicano). O problema está no que não diz e que se sente demasiado (é ver o contraste entre o voting record extremamente à esquerda enquanto senador e a imagem de moderado e de homem de estado que tenta agora aparentar).
“Mas o entusiasmo é afinal mesmo aquele por ti sentido. Garanto que fiz uma observação genérica e não a ti dirigida. Mas enfiaste a carapuça, tudo bem, nada contra” A capacidade do Filipe tirar conclusões espanta-me completamente:
1) O Filipe faz vários comentários sobre a personalidade de Obama
2) Luís constata esse facto
3) Logo, o Luís enquadra-se nesses comentários
“Estou à espera do post “Obama e a Economia” que há tempos foi prometido. ”
Admira-me que alguém como o Filipe que defende tanto a propriedade privada queira mandar na gestão do meu blog, em vez de deixar ao meu critério quando fazer as coisas.
Aa afirmações que o Filipe faz de dizer que os votos no Obama são por ser negro e na Hilary é por ser mulher têm a mesma validade de eu dizer que No MccAin só votam gays porque por ele ser veterano isso os excita. Não sei se também concorda com isto. A mim parece-me delírio.
Já agora, entre a Hilary e o Mccain, prefiro o Mccain.
No começo, adorei a idéia de ter mulher no comando de uma super potência. E boa parte das mulheres americanas se sentiram do mesmo jeito. Seria muito interessante saber como ela atuaria. Todavia, depois de meses de campanha eleitoral, Clinton mostrou-se “old fashioned”, utilizado a mesma retórica arcaica e populista. O povo americano, independentemente de raça e sexo, estão cansados de hipocresia, demagogia e de redundancia política.
A maioria das americanas NÃO votaram em Clinton. Porém, a maioria dos negros votaram em Obama. Mas o que está em jogo aqui vai além de quem é branco, de quem é negro ou cafuso. O povo americano, de certa forma, nestas preliminares, deram um basta para o tipo de politicagem das promessas vazias. Hillary, infelizmente, não percebeu que o povo em geral quer algo novo, algo concreto, sem truques eleitorais.
Não estou aqui, porém, para dizer que ela seria uma má presidente se fosse eleita, pelo contrário.
Obama, querendo ou não, representa a inovação de um sistema ultrapassado. Da modernização do sistema político americano.
Porém, será muito difícil ganhar. Apesar de toda inovação almejada continua, não generalizada, conservadora e racista.
McCain é a personalização deste sistema obsoleto. Por mais que ele tente mudar a campanha para se afastar das comparações com o governo atual de Bush, não vai conseguir. Não obstante, há aqueles que ainda preferem o usual do que o novo!
ratificação – eu quis dizer que o povo americano, mesmo almejando inovação, continua sendo um povo conservador e racista.
“Aa afirmações que o Filipe faz de dizer que os votos no Obama são por ser negro e na Hilary é por ser mulher têm a mesma validade de eu dizer que No MccAin só votam gays porque por ele ser veterano isso os excita. Não sei se também concorda com isto. A mim parece-me delírio.”
Há dados empíricos (sondagens, estudos de opinião, etc) que provem a atracção dos gays pelo McCain? Pois. Delirante é dizer que afirmações com base em estudos são delírio. Mostra, primeiro, falta de conhecimento da realidade (dos dados, neste caso), e, segundo, falta de bom senso na análise: mesmo sem dados, seria bem mais plausível ver indios votar num indio, mulheres votar numa mulher, deficientes votar num deficiente, do que gays votar num hetero-militar-republicano.
“Admira-me que alguém como o Filipe que defende tanto a propriedade privada queira mandar na gestão do meu blog, em vez de deixar ao meu critério quando fazer as coisas.”
Dizer estar à espera um post que tinha sido previamente prometido de livre iniciativa pelo Luis é querer mandar no blogue? Estou à espera (bem sentado, contudo).
“Já agora, entre a Hilary e o Mccain, prefiro o Mccain.”
E?
vtfennell,
O universo dos estudos sociológicos de voto em Obama e em Hillary é, como é evidente, o dos eleitores democratas. Tendo isso em conta, concordo consigo que a maioria das mulheres americanas não votou na Hillary. Primeiro, porque só os militantes podem votar, segundo, porque só uma ínfima parte das mulheres americanas é militante de um partido.
Filipe: que estudo é que mostra isto “muitos dos apoiantes do senador democrata preferem arriscar a derrota (logo, a nova vitória dos republicanos) e marcarem um pontinho na imparável luta do progressismo “?
Felipe, vc é ilario!!
Este foi um ano recorde de número de eleitores americanos cadastrados para as eleições desse ano, incluindo mulheres e jovens.
Realmente, eu não sei da onde vc está tirando as sua “ímpiricas” conclusões, porque elas não condizem com a realidade. O livro “universo dos estudos sociologicos” , que vc gosta tanto de referir-se, está obsoleto. Está na hara de vc comprar um mais novinho!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Ups… esqueci do H no “ílario” acima…. mas combina com a retórica do Felipe… incorreta e fadonha!
vtfennell,
“vc” é doutro campeonato. Espere pela taça de Portugal que eu não tenho disponibilidade agora.
Luis,
Sendo que estudos como este:
http://www.gallup.com/poll/107488/Gallup-Daily-Clinton-Maintains-Lead-Over-McCain.aspx
se vêem repetindo, só se justifica o voto em Obama por factores irracionais (anti-racismo, revanchismo negro, progressismo difuso e “liberalizante”, etc). Nada tenho contra o voto irracional, apenas denuncio que esse voto, e assim a eleição do Obama para candidato democrata, é essencialmente irracional. Disso é a prova as tretas que são ditas sobre a sua “magia” e outras balelas sobre carisma.
Um candidato eleito segundo factores essencialmente emocionais não traz nenhuma garantia de resolução dos problemas de um país como os EUA. É uma irresponsabilidade. Não se vai lá com retórica, mas com ideias correctas e sólidas. Em Obama, muito poucas.
O voto democrata em Hillary tinha muito de feminista mas era sobretudo motivado por factores económicos, esperando dela o devido socialismo (na saúde, por exemplo). As classes mais baixas votaram nela massivamente.
Corolário disto tudo (e que resume, penso, bem a situação):
-Candidato carismático e populista: mau
-Candidato carismático e populista negro num país “racista”: bom
Corolário alternativo:
-Actos irracionais não resolvem situações concretas: o racismo não se erradica com a eleição de um representante de um dos lados da barricada, os racistas não deixarão de ser racistas por de repente terem um preto na presidência, muito provavelmente ficarão ainda mais frustrados e…racistas. Problemas concretos resolvem-se, se é que podem ser resolvidos, com inteligência e não com demagogia e progressismo declamatório.
O estudo não demonstra nada do que disse, muito menos que “muitos dos apoiantes do senador democrata preferem arriscar a derrota (logo, a nova vitória dos republicanos) e marcarem um pontinho na imparável luta do progressismo “.
O voto irracional há de facto do lado do Obama, mas isso há em todos os candidatos. Afinal, os eleitores votam muitas vezes por identificação com grupos e por aquilo que os presidentes representam.
Posso conceder para o bem da discussão que o voto no Obama é todo irracional. Vamos supor que não existe uma única pessoa que vota no Obama que o faz racionalmente, mas sim emocionalmente. Será que isto prova a) que ele não é um bom candidato, b) que um candidato que tem eleitores racionais garanta melhores resultados
a) Não prova que ele é bom nem mau candidato. Ele pode ser mau porque simplesmente engana as pessoas. Pode ser bom porque o facto de provoca emoções às pessoas não significa que ele próprio não tenha boas ideias. O que o Filipe faz é pôr a reacção dos outros como propriedade da personalidade do Obama. Isso não tem sentido nenhum. Se a pessoa x se apaixona pela pessoa y (ou seja, fica emocionalmente “ligada” ou como quiser definir paixão) não significa que a pessoa y tenha a característica de ser irracional para que a pessoa x goste dela.
b) A ideia de que a racionalidade é a justiça é uma ideia platónica que está abslutamente errada. Uma pessoa pode ser racional e isso não faz com que esteja a proceder bem. Imaginemos que Chavez nacionalizava toda a Economia. A intenção dele é conseguir ganhar o máximo de dinheiro com isso e não ser justo (não estou a dizer que concordo que isto seja justiça, não se enerve!) Se este for o melhor método (vamos supor que é), então ele está a ser racional. Os eleitores que votaram nele verificaram que esta é a melhor maneira de ganhar dinheiro, uma vez que apenas 5% da população controla a Economia. Assim, os 95% dos cidadãos votaram racionalmente e o Filipe concordaria aqui que a eleição de Chavez seria melhor do que a do candidato que não nacionalizaria a Economia?
Por fim, a observação que eu fiz foi acerca daquilo que o Filipe usa para criticar o Obama, a saber, que os eleitore que votam nele não são bons eleitores e não que as ideias do Obama são más.
Desculpa, mas estamos a falar de primárias. Apoiar um candidato que é dado como perdedor é 100% irracional. Lamento. O objectivo de primárias onde já se sabe quem é o adversário é escolher um candidato “competente”, isto é, que possa derrotar esse adversário.
E ainda sobre “racionalidade”: eu disse que votar num perdedor era irracional, não disse que os eleitores do Obama eram irracionais “em si”, ou que defendiam ideias “irracionais” (por acaso, acho que são todas irracionais, mas é irrelevante, até podiam ser ideias 100% consistentes e o voto nesse candidato ser contudo irracional se as sondagens o dessem perdedor).
A irracionalidade do voto só tem duas possíveis fontes:
- o desconhecimento do método de eleição do presidente
- a fé na vitória, sem ter em conta as probabilidades da mesma, assente na defesa de ideologias emocionalmente apelativas.
Como não penso que o povo americano desconheça como se elege o seu presidente, só consigo concluir que é a 2ª opção.
“Isso não tem sentido nenhum. Se a pessoa x se apaixona pela pessoa y (ou seja, fica emocionalmente “ligada” ou como quiser definir paixão) não significa que a pessoa y tenha a característica de ser irracional para que a pessoa x goste dela.”
Como é óbvio isso é o caminho para a ditadura: escolher políticas públicas com fundamentação emocional/passional. O bem público não pode estar dependente das paixões das pessoas. Por isso, e por muitas outras razões, sou contra a democracia.
Em todo o caso, satisfaço-me no papel de Cassandra. Dá-me um certo gozo ver os EUA votar em Obama ou em McCain e saber de antemão que ambos vão aprofundar a crise que está apenas a começar. Também me dá um certo gozo ver a insistência dos “analistas” em culparem o capitalismo “desenfreado” como origem dos males do ocidente. Pensar que um fala barato socialista como o Obama pode resolver o que quer que seja só me dá vontade de rir, digo-te sinceramente. McCain idem (em menos burro, mais experiente e menos socialista, é certo). Acabar com o racismo com um político negro? Acabar com a pobreza com mais redistribuição e intervenção nas regras do comércio?
Vai perder contra McCain. Lamento.
Um reparo sobre o entusiasmo com Barack Husein (não sei se o teu entusiasmo é o mesmo que este, mas aqui deixo o meu testemunho): muitos dos apoiantes do senador democrata preferem arriscar a derrota (logo, a nova vitória dos republicanos) e marcarem um pontinho na imparável luta do progressismo (com a eleição de um negro para o cargo de …candidato) do que assegurarem a vitória da presidência (segundo a maioria das sondagens) do seu campo (com Clinton) e tirarem assim os republicanos da presidência. Mais um exemplo de como as “boas” intenções (puxar para cima um negro esperando assim acabar com “preconceitos” sociais e com as “injustiças”) só impedem a obtenção dos “bons” resultados (derrotar os belicistas e capitalistas dos republicanos).