Ao contrário do que se diz, Obama tem um programa consistente. Eis alguns pontos acerca da defesa:
Iraque
Obama tem um programa de 16 meses para retirar os soldados do Iraque.
Irão
Obama vai dar duas opções ao Irão: 1)caso este pare com o seu programa nuclear, os Estados Unidos vai oferecer incentivos como a inclusão do Irão na World Trade Organization e investimentos económicos; 2) caso contrário, os Estados Unidos continuaram a exercer pressão económica sobre o Irão.
NATO
Obama vai incentivar programas de reconstrução e estabilização
Expansão Militar
O objectivo é ter mais 65000 soldados e 27000 marines.
Passo agora, excertos do discurso sobre o terrorismo, The War We Need to Win.
“The terrorists are at war with us. The threat is from violent extremists who are a small minority of the world’s 1.3 billion Muslims, but the threat is real. They distort Islam. They kill man, woman and child; Christian and Hindu, Jew and Muslim. They seek to create a repressive caliphate. To defeat this enemy, we must understand who we are fighting against, and what we are fighting for.The President would have us believe that every bomb in Baghdad is part of al Qaeda’s war against us, not an Iraqi civil war. He elevates al Qaeda in Iraq — which didn’t exist before our invasion — and overlooks the people who hit us on 9/11, who are training new recruits in Pakistan. He lumps together groups with very different goals: al Qaeda and Iran, Shiite militias and Sunni insurgents. He confuses our mission (…)”
“When I am President, we will wage the war that has to be won, with a comprehensive strategy with five elements: getting out of Iraq and on to the right battlefield in Afghanistan and Pakistan; developing the capabilities and partnerships we need to take out the terrorists and the world’s most deadly weapons; engaging the world to dry up support for terror and extremism; restoring our values; and securing a more resilient homeland (…)”
“As President, I would deploy at least two additional brigades to Afghanistan to re-enforce our counter-terrorism operations and support NATO’s efforts against the Taliban. As we step up our commitment, our European friends must do the same, and without the burdensome restrictions that have hampered NATO’s efforts. We must also put more of an Afghan face on security by improving the training and equipping of the Afghan Army and Police, and including Afghan soldiers in U.S. and NATO operations.”
“I will not hesitate to use military force to take out terrorists who pose a direct threat to America. This requires a broader set of capabilities, as outlined in the Army and Marine Corps’s new counter-insurgency manual. I will ensure that our military becomes more stealth, agile, and lethal in its ability to capture or kill terrorists. We need to recruit, train, and equip our armed forces to better target terrorists, and to help foreign militaries to do the same. This must include a program to bolster our ability to speak different languages, understand different cultures, and coordinate complex missions with our civilian agencies. (…)”
“As President, I will create a Shared Security Partnership Program to forge an international intelligence and law enforcement infrastructure to take down terrorist networks from the remote islands of Indonesia, to the sprawling cities of Africa. This program will provide $5 billion over three years for counter-terrorism cooperation with countries around the world, including information sharing, funding for training, operations, border security, anti-corruption programs, technology, and targeting terrorist financing.”
Podias num proximo post apontar medidas concretas (se possivel, com custos incluidos) a nível social e económico.
Obrigado
Eu há tempos fui ver o voting record do senhor Obama e, comparado com o de Hillary, é clara a pertença deste à esquerda do Partido Democrata. Dizer que um candidato deve ser avaliado pelo que propõe (embora o que propõe é muito muito vago em inúmeros aspectos, e assemelha-se mais a mandamentos na pedra, ladeados pelo canto da sereia e com pano de fundo “we can change”) é demasiado preguiçoso, um candidato deve obviamente ser avaliado pelo que propõe mas também e sobretudo pelo que já fez, pelo seu passado. Pode-se odiar Hillary, mas é inegável que tem muito mais experiência (e não se diga que para o cargo mais importante do mundo, a experiência não conta) do que Obama, e também é inegável que a experiência deste último não abona muito a favor do que deve ser um presidente dos EUA (há um livro a explicar porque o socialismo nunca vingou nos EUA que mostra bem os anticorpos da sociedade e instituições americanas contra o utopismo socialista).
Caro Filipe,
obrigado pelo comentário.
Certamente que a experiência é um factor importante, mas de certo que não é tudo o que importa. Além do mais, o senhor Obama tem experiência como senador de Illinois e um senador não pode ter experiência como Presidente a não ser que já tenha sido Presidente antes. Devemos ainda ter em conta que o senhor Obama tem uma equipa e que não é só a experiência que conta.
Por fim, se fizermos uma experiência de pensamento e quisermos levar a questão da experiência ao limite, poderíamos ver que as ideologias e as propostas são bem mais importantes do que a experiência. Por mais experiente que o Chavez e o Fidel sejam, não me parece que seja bons Presidentes.
Relativamente ao primeiro comentário, gostava de poder ajudar, mas não entendo bem o que pretende. Pretende um estudo sociológico extenso? Um estudo económico alargado? Não me parece que seja adequado. Além do mais, nenhum dos candidatos tem um plano apresentado dessa forma.
Dados essenciais para a avaliação de um candidato a presidente:
experiência
+ideias (ideologia)
+propostas
+carácter
+coerência entre estes factores
Em Obama:
- experiência política demasiado curta para ser presidente (na prática, um tiro no escuro por parte dos eleitores), a pouca que existe conota-o com a esquerda do Partido Democrata, o que não lhe facilitará os consensos se for eleito
- ideias: vagas, imprecisas no campo económico, demagógicas, erradas (socialismo não funciona, em lado algum)
- propostas: vagas, proféticas, irresponsáveis (custos exorbitantes – poder-se-á argumentar que os republicanos também o são nas propostas sobre política externa quanto aos gastos), erradas (socialismo qb)
- carácter: abundam os testemunhos sobre o seu nasty style enquanto político nas anteriores campanhas, nomeadamente para senador (nestas, já se viu alguns ataques sujos à senadora)
- coerência: é sabida a sua duplicidade enquanto votante no senado e as propostas (mesmo que vagas) enquanto candidato, no senado (com responsabilidade efectiva) vota extrema-esquerda, na campanha quer parecer-se com um candidato moderado e responsável.
Quanto ao primeiro comentário, apenas te pedia, se soubesses claro, um post tipo Obama e a Economia. Se não souberes em detalhe, não é grave, afinal és livre de valorizar mais no Obama a sua política externa. Eu só digo isto porque é precisamente o campo em que, se for eleito, se vai espalhar ao comprido.
Caro Filipe,
relativamente às ideias não concordo que sejam vagas, nem demagógicas e nem me parece que sejam socialistas. Aquilo que falei noutro post sobre a sua tentativa de resolução do problema com o Irão é, a meu ver, uma atitude que não está conforme o hábito americano, logo não é demagógica. Certamente que não defende posições de direita, mas também não me parece que se encoste à esquerda. Parece-me, sim, que ele se senta no centro. Por favor indique-me casos concretos onde ele é vago e onde é socialista. Pode parecer, de facto, que as suas propostas são vagas devido ao tom com que ele fala, mas em concreto não vejo onde são vagas.
Relativamente ao carácter, quando se faz uma análise política, não podemos estar condicionados por testemunhos vagos acerca da personalidade dos candidatos. Quando o Schwarzenegger se candidatou a senador da California, apareceram várias mulheres a dizer que tinham sido abusadas por ele, isso não torna esses relatos verdadeiros.
Eu tinha em mente fazer vários posts sobre as várias propostas do Obama nos vários campos. Um sobre Economia surgirá certamente.
Obrigado
Dizes bem, ele não se “encosta” à esquerda, mas isso é verdade apenas em campanha, pois quer parecer como o político responsável, moderado e centrista.. Daí a acusação frequente de ser um vendedor de banha da cobra, de esconder as suas verdadeiras ideias e o seu passado político no senado (votou sempre do lado da extrema-esquerda).
Casos concretos que mostram que ele é:
- vago: basta irmos ao site de campanha para nos depararmos com uma frase totalmente vazia (ou então com um projecto dissimulado por trás), “i’m asking you to believe in yours”, boa, acreditar em si para mudar a política num estado federal onde os estados têm imensos poderes de decisão… Para algo mais concreto sobre as propostas vagas, é ir ver o que propõe no site para a economia: quase tudo o que propõe depende da aprovação dos estados federados, quase nada do que propõe está dependente da sua acção mas sim dependente da aprovação pelo congresso e depois pelos estados federados.
- socialista:
# Voted NO on repealing the Alternative Minimum Tax. (Mar 2007)
# Voted NO on raising estate tax exemption to $5 million. (Mar 2007)
# Voted NO on supporting permanence of estate tax cuts. (Aug 2006)
# Voted NO on permanently repealing the `death tax`. (Jun 2006)
# Voted YES on $47B for military by repealing capital gains tax cut. (Feb 2006)
# Voted NO on retaining reduced taxes on capital gains & dividends. (Feb 2006)
# Voted NO on extending the tax cuts on capital gains and dividends. (Nov 2005)
Chega?
Se não chega, aqui vai um belo tabuleiro de socialismo:
“He will increase investments in infrastructure, energy independence, education, and research and development; modernize and simplify our tax code so it provides greater opportunity and relief to more Americans; and implement trade policies that benefit American workers and increase the export of American goods.” (site de campanha)
Se isto não é socialismo. Acho aliás curioso que pessoas que se dizem socialistas venham constantemente dizer que ele não é socialista. Além de não colar com os factos (ele é socialista), isso mostra (talvez) a vergonha que existe hoje em um político dizer-se socialista. Sintomático.
Carácter: evidentemente que o facto de se achar o carácter de um político irrelevante leva a que políticos com carácter duvidoso venham a ser eleitos (isto para não ir buscar o exemplo mais claro: Hitler). Há uns meses vi uns artigos online em jornais americanos sobre a sua atitude face a adversários políticos na corrida para o senado. Faz lembrar o pior do pior na actividade política. O homem é um cínico e um falso.
Caramba, a cegueira não pode ser total! Mal abre a boca, sente-se logo a intrujice e a aldrabice do pastor que promete o paraíso aos fiéis. Eu, se visse um candidato da minha área política com um carácter tão baixo, não o apoiaria. No entanto, o contrário passa-se notoriamente na esquerda. É mais que óbvio que o homem é um demagogo, mas por ser de esquerda já é bom?? É preciso lucidez, mal por mal temos a Hillary que anda há anos nisto e ninguém a acusa de vigarice política (contesta-se, sim, é a natureza do que ela propõe).
A minha tese é a de que fica bem ver um negro na presidência de um país (dito) racista e que isso seria um bom meio para um avanço progressista nos EUA.
No meu dicionário, apoiar um candidato pela cor da sua pele é Racismo.
Não digo que é o teu caso, apenas refiro a minha tese sobre a maioria das pessoas que, para espanto meu, vejo no apoio a um candidato como Obama.
Caro Filipe,
Vou tentar ser definitivo para não continuarmos com este debate ad infinitum; até porque receio que não tenha compreendido que o tema deste post era a proposta para a política internacional de Obama e não as outras políticas. Se sempre que faz um comentário traz um tema novo, será difícil mantermos um debate.
Concordo que votar no Obama pela sua cor é o mesmo que votar no Bush porque tem um rancho. Ou seja: é absurdo. Aliás, o próprio facto de se dizer que ele é preto é idiota – ele é tão preto como branco.
Uma frase de campanha como essa não pode ser usada para dizer que um candidato tem um projecto político vago. Se tiver a bondade de ver o site do Ron Paul e do Mccain vai ver que, respectivamente, dizem Hope for América e American Hero. Com certeza que acharia pouco prático ter uma frase de campanha como Let us reduce our taxes 10 per cent because of inflation and to solve the crisis of the dollar. (Se precisar de mais informações sobre estes dois candidates, o meu colega de blog pode informá-lo melhor do que eu).
Relativamente ao socialismo, eu não nego que ele tenha preocupações sociais e espero que todos os candidatos as tenham. Além disso, ter algumas ideias próximas da esquerda não o torna um candidato de esquerda. Relembro-o que um dos candidatos do partido libertário é a favor da imigração livre, sem qualquer barreira e isso não o faz ficar mais próximo de partidos portugueses como o Bloco de Esquerda (que salvo o erro é o único que defende tal acerrimamente). Ou até o Bush que acabou de doar dinheiro a África.
Mas, já agora, aqui tem uma proposta que pela sua lógica pode tornar o McCain socialista:
McCain
Cut Taxes For Middle Class Families: Hard-working American families need lower taxes.
Obama
Reverse Bush Tax Cuts for the Wealthy: Obama will protect tax cuts for poor and middle class families, but he will reverse most of the Bush tax cuts for the wealthiest taxpayers.
Eu não sou socialista, se por acaso me está a perguntar. No entanto, não compreendo por que afirma que é vergonhoso assumir-se como socialista e os factos falam por si: PS em maioria absoluta em Portugal, PSOE em Espanha venceu ontem as eleições, só para referir dois casos. Se houvesse vergonha seria pouco provável que estes partidos vencessem eleições. Nem um nem outro são partidos que apoie. Além do mais, é politicamente correcto dizer-se que se é de esquerda: são eles que, falsamente, dizem ser os únicos que protegem o povo. A nível académico também não há vergonha de se mostrar socialista: a filosofia política de hoje é influenciada principalmente por John Rawls (na filosofia analítica) e Habermas (na filosofia continental) – ambos socialistas. Mais uma vez não vejo fundamento na sua tese.
Sinto muito mas nem eu nem os apoiantes de Obama devemos ter o sentido apurado que tem para detectar a intrujice e a aldrabice.
“Sinto muito mas nem eu nem os apoiantes de Obama devemos ter o sentido apurado que tem para detectar a intrujice e a aldrabice.”
Desculpa a piada, mas talvez seja verdade isso. Aliás, não é nada de novo. Argumentos emocionais e bandeiras entusiasmantes fazem com que gente inteligente feche involuntariamente os olhos (não vou citar outra vez o apoio dos alemães a Hitler – ups, já citei).
Mas, ok, já que disseste que não querias debater outros assuntos nos comentários senão aqueles do post, vou deixar-te a última palavra.
Continuem o blogue, vou comentando quando tiver discordâncias ehehhe
PS: já agora, eu não disse que era uma vergonha ser socialista, apenas referi o FACTO de muitos socialistas nem ousarem afirmarem-se como tal hoje em dia. Só isso.
PS’: a frase sobre o McCain é liberalismo e não socialismo, baixar impostos é sempre bom, seja para quem for; reverter a lógica e anular baixas de impostos para ricos é subir impostos, logo é o contrário do liberalismo.
Um último comentário fora do tema do post:
“Além disso, ter algumas ideias próximas da esquerda não o torna um candidato de esquerda”
Vai ver o voting record do Obama no site do senado, a sério. É o 4º ou 5º senador mais à esquerda, vi isso num site (acredita na minha palavra, agora não me lembro qual o site).